
A baixa do Funchal fervilha de gente que dá os seus últimos passeios de fim-de-tarde em 2016. Entretanto já começa a ser mesmo noite e o movimento cedo aumentará significativamente, com a descida de muitas pessoas à baixa para estacionar o carro onde possível e assegurar um bom local para assistir ao fogo de artifício.
Por enquanto, a animação vai ficando por conta das bandas filarmónicas, cujos elementos se desdobram na interpretação de clássicos, desde o ‘When the Saints go Marchin’ In’ a outras músicas de cariz mais natalício, mas sempre jubilosas e festivas. É a introdução para as comemorações do Revéillon. Muitos, locais e turistas, entram e saem da Sé do Funchal, talvez contemplando a talha dourada e as obras de arte, talvez perspectivando, meditativos, o futuro em 2017 e pedindo por si e pelos seus.
Em volta da estátua de João Gonçalves Zarco e na placa central da Avenida Arriaga, muitos passeantes, muita animação musical. Mais abaixo, vendem-se as tradicionais castanhas assadas. Por entre o fumo, as caminhadas estendem-se até ao cais, de onde se observam as condições adversas de mar que hoje se fazem sentir e que, como referimos já, provavelmente impedirão a descida, a terra, de passageiros dos paquetes fundeados na baía.
Uma lancha dos Pilotos adentra o porto, subindo e descendo as vagas, que teimam em chocar contra os paredões da marina, gerando cortinas de água que caem sobre o cais e os barcos no interior. A nau ‘Santa Maria de Colombo’ oscila para um lado e para o outro, a meio do porto; dentro da marina do Funchal, os iates chocalham como cascas de noz. Quem for ver o fogo a bordo, mesmo que não saia do abrigo, é melhor estar preparado para muitos balanços.
O céu escuro promete chuva, embora a meteorologia tenha apontado para que tal não aconteça na altura do fogo. Esperemos que não, para que não prejudique o cartaz turístico.
Em meio à boa disposição geral, há quem esteja tranquilamente deitado em plena rua, possivelmente embalado em vapores etílicos. A cidade do Funchal entrará em 2017 com o cada vez mais agudo problema dos sem-abrigo a sério (e dos descaradamente vadios) a agudizar-se cada vez mais, como se a nossa urbe fosse uma daquelas metrópoles de milhões e milhões de habitantes, onde estes problemas se afiguram quase irresolúveis.
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