
Lídia Ferreira, porta-voz da delegação da Madeira do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), comentou ao Funchal Notícias a nomeação de Pedro Ramos para substituir Faria Nunes na pasta da Saúde declarando que vê com preocupação a grande instabilidade que tem ocorrido na Saúde. Avançando que esta estrutura sindical se pauta pelos consensos e pela negociação e que está aberto às conversações, e sempre expectante de que o trabalho conjunto será profícuo, a nossa interlocutora sublinhou que as instabilidades políticas não são nada boas, sobretudo quando houve transições muito bruscas no sentido negativo. As mesmas existiram na RAM, considerou, porque “a Região tinha um sistema [de saúde], uma organização que até servia de referência para o resto do país”. Vantagem que “perdeu, passando até a ser um bocadinho o contrário, nalgumas situações”.

Há, actualmente, diz Lídia Ferreira, não só especialidades carenciadas no âmmbito do sistema de saúde regional, como outras que, não sendo “ditas carenciadas”, nem por isso deixam de sofrer carências. Apesar de terem um número de médicos supostamente suficiente, o mesmo acaba “por não ser o suficiente para dar resposta ao grau de excelência que a medicina tem de ter”.
As características inerentes à administração do acto médico e, globalmente, da saúde a uma população rege-se por normas internacionais, pelas quais a Direcção-Geral de Saúde tem de se reger. A realidade é que para que essas normas sejam cumpridas, é necessário que seja feito todo um trabalho. Ora, na perspectiva do SIM, o mesmo está a ser levado a cabo “por um número deficitário de pessoas”.
“Para tentar garantir essa qualidade e essa excelência, estamos a desgastar o capital humano, que está neste momento a trabalhar quase por amor à arte e a dar tempo para que as políticas se ajustem e se coordenem definitivamente, após todas as mudanças que surgiram nestes últimos anos”, realça a porta-voz do SIM.
Muitas circunstâncias, assume, estão directa ou indirectamente ligadas à crise económico-financeira, e a “gestões um bocadinho danosas”.
Ora, se o capital humano está a fazer este esforço e a demonstrar este empenho, frisa a nossa interlocutora, o que o Sindicato Independente dos Médicos espera é que haja da parte do novo secretário, um médico cirurgião, activo e conhecedor de todas estas alterações e mudanças, e bem assim do descontentamento e esforço que se fazem sentir entre os prestadores de cuidados de saúde, que haja uma capacidade de perceber que a única forma de tentar ganhar mais tempo para poder colmatar as dificuldades actuais e mudar positivamente a situação na saúde passa por valorizar as pessoas.
“As condições de trabalho têm de ser garantidas, tem de haver pessoal médico diferenciado… não se pode recorrer, como inclusive se fez a nível ministerial, muito embora já se tenha entretanto recuado, a tarefeiros… Não se pode andar aqui a tapar o sol com a peneira. Tem de haver medidas políticas que sejam de continuidade”. Na saúde, diz tem de haver uma postura política consciente de que as coisas se fazem com o intuito de, no futuro, se chegar a uma situação profícua, não adoptar posturas eleitoralistas ou variáveis de acordo com cores políticas.
Há que haver coerência nisto, diz Lídia Ferreira, e a população tem de começar a exigir essa coerência, “não se deixando cativar por medidas eleitoralistas pontuais”. Deve, isso sim, “começar a valorizar aqueles que se empenham em promover medidas que, apesar de não terem logo o impacto no momento, têm-no a médio e a longo prazo”.
A saúde é uma das áreas imprescindíveis para o bem-estar humano, e que não podem ser sujeitas a oscilações de cariz político, sublinha.
“Estamos com esperança de que o dr. Pedro Ramos venha com a vontade de limar as arestas”, acrescentou.
A entrevistada considerou que é preciso criar condições para trazer pessoas habilitadas e valiosas para a saúde na RAM. É necessário deixar de ter uma postura perante a saúde de colmatar défices à custa de horas extraordinárias, considerou. As mesmas são para serem pontuais, não para a resolução permanente dos problemas. Senão, as horas extraordinárias passam a ser ordinárias… E, quando é necessário recorrer a horas extraordinárias, as mesmas têm de ser realmente valorizadas.
Reconhecendo as dificuldades orçamentais, Lídia Ferreira aponta que, quando há vontade política, as pressões também são feitas no sentido certo.
“Se quando há vontade política há orçamento, e há questões financeiras que são resolvidas, ou pelo menos colmatadas… O desporto é fundamental, mobiliza muito capital… tem o seu valor, e quando é fundamental arranjar dinheiro para infraestruturas dentro da área do desporto, ele aparece!”, salienta. “Ora bem, a saúde também é fundamental”, faz notar.
Na sua perspectiva, tem é de haver uma gestão e um poder de decisão que não se baseie apenas naquilo que agrada no momento ao eleitorado… Porque o eleitorado é as pessoas, e as pessoas ficam doentes (…). Há que saber gerir as coisas com atenção às prioridades (…), ao que é realmente fundamental.
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