O Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM) não acredita que seja com a mudança tutelar na pasta da Saúde que, de repente, as coisas se vão resolver no sector. A opinião foi transmitida ao Funchal Notícias por Juan Carvalho, presidente do SERAM, num comentário à indigitação de Pedro Ramos para o lugar até agora ocupado por Faria Nunes, avançada em primeira mão pelo FN e agora assumida oficialmente pelo Governo.
Juan Carvalho faz notar que este já é o terceiro secretário da Saúde no corrente governo de Miguel Albuquerque, e a experiência até agora tem demonstrado que os problemas persistem.
Por outro lado, diz o dirigente sindical, “esperemos que, com esta mudança, não se deixem muitos dos projectos que estão em andamento, nomeadamente a construção do novo hospital… espera-se que seja um objectivo que se venha a concretizar a médio e longo prazo”.
Na perspectiva deste responsável, atendendo às diversas áreas que o novo secretário regional da Saúde terá sob sua tutela, por exemplo os cuidados de saúde primária, a área hospital, o serviço regional de Saúde “não se resume a um serviço de urgência e emergência hospitalar”, funções nas quais Pedro Ramos desenvolveu a sua experiência profissional.
“Espero que este novo secretário tenha em atenção todo o Serviço Regional de Saúde e os múltiplos problemas que o afectam, de forma a paulatinamente resolvê-los. É importante que se mantenha também o clima de pacificação que se tem vindo a verificar no SRS. Sabemos que há uma maior abertura para o diálogo e a resolução de problemas”, sublinha. Por isso, espera que o dr. Pedro Ramos dê continuidade a essa vertente.
Da parte dos enfermeiros, há a esperança de que o novo governante “corresponda de facto às expectativas” e venha a resolver “os graves problemas do SRS depois de vários anos de sucessivos cortes que o afectaram em várias áreas”.
Juan Carvalho deixa ainda uma nota relativamente à reforma dos cuidados de saúde primários, que, do ponto de vista do Sindicato dos Enfermeiros, não vai melhorar nem facilitar o acesso dos cidadãos aos ditos cuidados. “Aqui, também, exige-se que o novo secretário esteja atento, de forma a que, em diálogo e tendo em consideração todos os profissionais, introduza alterações de modo a que todos possam contribuir para criar um melhor serviço (…), com maior qualidade e segurança”.
Interrogado sobre a ideia prévia que tem o Sindicato sobre o dr. Pedro Ramos, Juan Carvalho referiu que “da nossa parte conhecemo-lo como coordenador dos serviços de emergência hospitalares e como director do serviço de urgência. O que dizemos é que o SRS vai muito para além destas duas vertentes”. Os enfermeiros esperam que Pedro Ramos saiba dialogar com todos os actores na área da Saúde.
Não deixa, todavia, de ser “preocupante” para os enfermeiros olhar para o orçamento regional para o sector da Saúde, e não verem ali plasmadas perspectivas positivas.
“O Serviço Regional de Saúde, em 2017, continuará a sofrer um conjunto de constrangimentos idênticos aos que atravessou durante 2016”, afirmou. “Sem um orçamento adequado, é provável que não se encontrem soluções para muitos dos problemas que a Saúde atravessa”, concluiu o nosso interlocutor.
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