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- A nossa querida Madeira é uma terra profundamente cristã, católica, mas parece que cada vez mais o número de pessoas que se assumem cristãs e praticantes da religião está a diminuir.
Alguns dirão que há muito tempo que é assim. E outros poderão também dizer que não terminaram as festas, os arraiais dedicados aos santos e a Nossa Senhora, era interessante seria saber qual o número daqueles que correm para os tais arraiais movidos pela fé nos ensinamentos dos santos e na mensagem mariana que está subjacente ao título que dá nome à festa.
Ainda outros poderão dizer, mas no Natal, as missas do parto fazem correr gente por todo o lado, o governo Regional até vai fazer um roteiro das missas do parto, alguns partidos políticos querem propor as missas do parto ou a festa na Madeira a património Imaterial da humanidade…
Sim, tudo isso é certo e está bem presente diante dos olhos de todos. Mas, não consta que isso, nos faça uma sociedade mais livre, mais consciente dos valores, mais empenhada na luta contra a erradicação da pobreza, militante a lutar contra os seus direitos na saúde, na educação e na dignidade que merecem como cidadãos de primeira linha quando atingem a idade avançada.
Também não se sabe logo que todo este ambiente que alguns consideram ser de fé, nos faça ter uma igreja católica da Madeira, mais fraterna, mais ciente de que não pode deixar ninguém para trás e de que os cristãos estejam na linha da frente na construção da sociedade. Se os há são bem poucos e se fazem alguma coisa no sentido do bem comum ainda não se viu exemplos que mereçam algum relevo. A luta pelos interesses pessoais, familiares e de grupo, é bem visível e bem frenética entre nós, mas isso enquadra-se mais dentro do âmbito do egoísmo, da ganância e não no domínio da fé.
- O ser católico devia ser um valor que se assume todos os dias e em todas as circunstâncias da vida concreta. Mas também parece que o número desses cada vez é menor. Daí que se o ser católico fosse algo que se assumia naturalmente e que fazia parte intrínseca da vida diária, faria também parte bem visível o ser natal neste tempo que atravessamos.
Olho em volta e vejo, valendo o que vale, o natal do comércio louco que faz correr tanta gente e uma minoria que é vista como conservadora, beata e que já não faz parte deste mundo, a praticar a sua religião.
A irmã Guadalupe que viveu 5 anos em Alepo na Síria no meio da guerra, esteve entre nós e interpelou-nos violentamente, deu conta dos horrores da guerra, da perseguição e do sofrimento dos cristãos na Síria e no Iraque sem que o Ocidente pestaneje. E deve ser dito também, que o natal para nós cristãos é o momento ideal para despertarmos e começarmos a dar valor à liberdade que temos para ser cristãos e viver com coragem essa nossa condição. Quantos neste mundo desejam ter o que nós temos e não tendo, resta-lhes a perseguição e o caminho para a fuga para que não sejam mortos. A Irmã Guadalupe falou disso claramente. E disse que entre nós impõe-se a vida confortável, os valores invertidos (basta repararmos a loucura do futebol que comanda a vida toda sem que daí a vida melhore para a maioria que fala, corre e se deixa comandar por esse ópio dos nossos tempos). Mais ainda alertou para a forma como estamos a criar os filhos. Basta reparar nos pequenos ditadores que muitas famílias abrigam dentro das suas casas.
- Então, entre nós, há os cristãos envergonhados, escondidos, de «part time». Cristãos só da missa uma vez por outra. Não deixemos de lembrar que, felizmente, encontramos ainda, nem que seja um resto de Israel, cristãos de sorriso nos lábios com orgulho naquilo que são e que não se inibem de testemunhar a sua fé e a sua esperança cristãs nas suas ações de todos os dias. Bem hajam os que são natal todos os dias.
O ser natal é a vida nova que em cada um deve fazer renascer para os valores, tornamo-nos desacomodados, testemunhas da verdade e da justiça, mesmo que isso tantas vezes implique andar para frente e para trás, com muitas imperfeições, com pecados. Mas, seguros que o pecado não nos define, mas faz parte da vida.
Ser natal que é vida, exige que não nos fixemos aí na miséria, mas lutemos contra ela para que desapareça de nós e dos outros. Daqui se depreende que o natal cada ano é sempre mais uma possibilidade para recomeçar. Que neste natal ninguém se deixe inebriar pelo folclore, mas que olhando e orando diante da imagem do menino das palhas da gruta de Belém, encontre forças para renascer mais uma vez. E façamos do amor e do perdão a luz que se acende neste natal e que nunca ela nunca se apague em nenhum dia do ano vinte 24 horas sobre 24 horas.
Um santo e feliz natal.
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