Crónica Urbana: Novos “inquilinos” do Santander obrigam a limpeza diária

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Rui Marote

Lavar artérias do centro do Funchal às 9 horas da manhã? Junto a cafés, bancos e lojas comerciais? Os peões interrogam-se sobre isto, mas todo este aparato tem uma razão! Os sem-abrigo mudaram de casa, “transferidos” do lugar que habitualmente ocupavam, a entrada da Secretaria Regional da Agricultura e Pescas, no prédio do Golden, já que o Governo entendeu colocar um gradeamento no sítio onde dormiam. Por mais uma vez, recorde-se, o FN reflectiu tal situação. E, por mais solidários que sejamos com a difícil situação dos sem-abrigo, não o podemos ser com quem recusa o alojamento que lhes oferecem para permanecer na rua só porque gosta de consumir álcool e não quer tomar banho ou cumprir regulamentos.

A nova casa é o átrio do Banco Santander, na Rua do Aljube. Todas as manhãs os arredores e o átrio estão conspurcados com rios de urina e fezes, causando um cheiro nauseabundo e insuportável naquele espaço e afastando os clientes da esplanada junto às floristas.

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Durante a noite torna-se impossível o acesso à Caixa Multibanco e aos depósitos dos comerciantes nesta instituição bancária. O piquete da CMF todos os dias procede à lavagem da artéria e passeios circundantes. Há quem diga que a água lava tudo, mas neste caso não é suficiente, uma vez que o cheiro do ácido úrico permanece no ar. Cafôfo terá de optar por um perfume Prada ou Dolce e Gabbana, ou registar uma nova marca… talvez ‘Mudança’.

Conclusão: mais dia menos dia, só resta ao banco colocar também um gradeamento para afastar esta desgraça. E, se a moda pegar, em breve teremos o Funchal encarcerado. Embora não seja uma solução, porque não lavar este espaço durante a noite?

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