Falta vontade política para resolver problemas da Saúde na Região, denuncia Mário Pereira

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Mário Pereira quer intervenções na Saúde Regional e diz que há falta de vontade política do Governo para resolver problemas.

“Falta vontade política” para resolver os problemas que têm sido enlencados, há já algum tempo, relativamente a diversas problemáticas de funcionamento da Saúde na Região, denuncia o médico Mário Pereira, deputado do CDS/PP.

O partido centrista e o próprio parlamentar têm vindo a apontar várias anomalias e há já um documento elaborado onde são pormenorizadamente indicados alguns aspetos para os quais urge uma intervenção e que teve dois objetivos. Primeiro propor uma comissão de inquérito parlamentar e segundo enviar a várias entidades, mais precisamente 17, na maior parte judiciais, mas também de setor, como Ministério e Direção e Geral de Saúde, onde o partido na Região pretende reforçar as suas preocupações, que são “preocupações dos utentes e dos profissionais que exercem a sua atividade na componente hospitalar”.

Avaliações em curso

Mário Pereira diz ao Funchal Notícias que, no que toca a essa exposição sobre diversos assuntos, de funcionamento mas também de gestão, já obteve algumas respostas, até de entidades judiciais, que indicam estar em curso avaliações no sentido de eventuais procedimentos.

Listas de espera e respetivo programa de recuperação (dados conhecidos apontam para 19.600 em 2016 contra 11 mil há quatro anos), carências profundas ao nível de anestesistas, situação da Radiologia, da Dermatologia, Ortopedia, Psiquiatria, em matéria de médico de família em que a abrangência nacional (87%) contrasta com números regionais de 56%, são alguns dos aspetos quer justificam uma intervenção, segundo o CDS/PP refere.

Serviço com competências

Para Mário Pereira, o Serviço Regional de Saúde tem competências técnicas capazes de encontrar soluções para os diferentes problemas, mas aponta uma clara “falta de vontade política”. E diz: “Repare que muitos dos problemas não são novos, já se registavam há cinco anos e continuam por resolver, por isso o CDS/PP pretende encontrar respostas e, assim, cumpre a sua parte de alertar para as situações para que não possam dizer que não avisámos”. Além do mais, diz, “estes problemas já têm sido também apontados pela Ordem dos Médicos e pelos sindicatos do setor”.

Mais do que uma resposta célere, Mário Pereira quer mesmo é que as entidades regionais venham a corrigir as situações apontadas. Temos várias entidades atentas ao assunto, como a Direção Geral de Saúde e também o Tribunal de Contas, uma vez que as questões não se prendem apenas com aspetos de funcionamento, mas também financeiras”.

Medidas contra listas de espera

Em matéria de listas de espera, por exemplo, um relatório de abril de 2015, relativamente ao diagnóstico da situação, considera “excessivos os tempos de espera para cirurgia programada, indicando números que ajudam a compreender a situação de forma mais real – o volume de doentes em lista de espera, 17.280 em 31 de dezembro de 2014, é 2,3 vezes o total de doentes operados em 2014…Se não foram tomadas medidas efetivas e de largo espectro visando a redução do contingente de utentes que se encontra em lista de espera para cirurgia, esta, que atinge valores dramáticos, tenderá a subir de modo continuado. A atual produção cirúrgica do HCF é incapaz de travar essa progressão. Entre 2011 e 2014 registou-se um aumento de 26% no número de utentes em lista de espera para cirurgia programada”.

CDS/PP quer respostas

Além disso, SESARAM com obras paradas, médicos que se queixam de trabalho a mais, remunerações não condizentes e dívidas a empreiteiros e fornecedores, são questões que constam do documento enviado pelo CDS/PP, onde são referidas informações que foram publicadas na comunicação social, bem como relatórios de diversas entidades, incluindo o SESARAM.

“Estou desmotivado…mais! Estou revoltado! Porquê?…Tenho 38 anos, possuo uma especialidade em Anestesiologia…Gosto do que faço…Recebo menos de metade de quando cheguei à especialidade há 8 anos, para receber o meu ordenado base limpo tenho de acrescentar em média 100 horas extra por mês…Trabalho assim 65 horas por semana a uma média de 9 euros por hora”, foi este desabafo que fez eco nas redes sociais e mereceu grande destaque nos media. Chama-se Ricardo Duarte, um jovem anestesista do Funchal.

Todas estas realidades são percetíveis em diferentes momentos e de diferentes quadrantes. Por isso, o CDS/PP quer respostas e aguarda decisões das entidades e medidas do Governo.