Pastores das Serras da Madeira indignados com silêncio de exdeputados e atitude do GR

pastores1Os Pastores das Serras da Madeira estão indignados e fizeram chegar ao FN o seu protesto.

São várias as razões do descontentamento. Antes de mais, dizem não entender “quais as razões do silêncio mantido durante todos estes anos, da aprovação pelo Parlamento Europeu, da Resolução de 19 de junho de 2008 sobre o futuro do setor dos ovinos e caprinos na Europa”. Relembram que, “no Parlamento Europeu,  nessa data, eram deputados da Madeira Sérgio Marques e Emanuel Jardim Fernandes”.

A citada Resolução, que teve por base um estudo elaborado pela Ernst and Young intitulado O futuro dos sectores da carne ovino e caprino na Europa. Uma Resolução que “reconhece a importância da criação de ovinos e caprinos em matéria ambiental, pela manutenção natural de zonas menos férteis e a preservação das paisagens e de ecossistemas sensíveis, incluindo a criação de raças tradicionais”.

Mais acrescentam que a mesma deliberação “reconhece que muitos espaços naturais da paisagem pastoril foram preservados durante séculos graças à criação de gado ovino e caprino e que, além disso, dado o seu comportamento alimentar, em que o consumo de rebentos é significativo, os ovinos e caprinos mantêm a biodiversidade da flora, protegem a fauna selvagem e limpam os espaços naturais de matéria vegetal seca, o que, nos países mediterrânicos, é fundamental para a prevenção de incêndios”.

Inclusive, acrescentam, exortou-se “o Conselho de Ministros da Agricultura e a Comissão a canalizarem urgentemente um apoio financeiro suplementar para os produtores de carne e leite de origem ovina e caprina da União” e “a Comissão a incluir o sector dos ovinos e dos caprinos no segundo Programa de Acção Comunitária no domínio da Saúde (2008-2013), com vista a promover os benefícios da carne de ovino e de caprino em termos de saúde e proteínas junto dos consumidores”.

Sim ao pastoreio ordenado

É neste contexto que os pastores querem mudança nas serras da Madeira. Segunda uma carta feita chegar ao FN, salientam que “a realização do pastoreio defendido pelos Pastores das Serras da Madeira, controlado e vigiado, permite a sustentabilidade das nossas serras, com uma cooperação entre a criação de gado e o ambiente. Defende-se a utilização dos princípios de desenvolvimento sustentável com efeitos muito positivos na nossa economia. Para além da venda de carne, há toda uma atividade tradicional de queijos que pode ser desenvolvida e a promoção desta atividade económica significa um incremento de rendimento para os pastores locais, numa atividade baseada em negócios familiares e de pequena dimensão”.  Relembram ainda que “esta riqueza criada é completamente absorvida pela economia regional e pode diminuir a nossa dependência externa no abastecimento à Região”.

Governo chamado a contas

As críticas são também apontadas ao PS. “Para além do silêncio dos deputados da Madeira ao Parlamento Europeu do PSD e do PS, o Governo Regional da Madeira, através dos departamentos que acompanham a política agrícola europeia e os seus efeitos na Madeira, não só ocultou essa Resolução como obrigou a uma política no sentido exactamente ao contrário do que se aconselhava na Europa. Manuel António Correia, secretário regional e o antigo Diretor das Florestas, Rocha da Silva, decidiram pela matança do gado nas serras da Madeira, motivados por opiniões políticas mal fundamentadas. Nem no Relatório A Madeira na UE, de 2008, há qualquer referência a esta resolução do Parlamento Europeu”.

Já num passado mais recente, os pastores recordam que, “na campanha eleitoral para o Governo Regional, Miguel Albuquerque prometeu, no Centro Cívico de Santa Maria Maior, o regresso do pastoreio às Serras da Madeira”. Porém, lamentam, “é mais uma promessa que está por cumprir! Para quando?”