Thanjavur, a “malga de arroz” da região de Tamil Nadu

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As religiões convivem umas com as outras nas supostas “imagens protectoras”

Rui Marote (texto e fotos)

Na minha viagem Chidambaram -Thanjavur ponderei durante o trajecto de quatro horas se comentaria as imagens que descobri numa caixa por cima da cabeça do motorista. Fazem pensar. Não há dúvida que devemos respeito a todas as religiões. E o mesmo devia pensar o motorista, que se queria certamente protegido por todos os deuses. Na dita caixa, ao centro, vemos em autocolante a figura de Ganesha, o deus cabeça de elefante, filho de Xiva. À direita o viajante algo estupefacto contemplava uma mesquita com os seus minaretes e à esquerda, uma representação do Sagrado Coração de Jesus. Rapidamente vem à mente, não querendo brincar com coisas sérias, a trindade do Pai, Filho e Espírito Santo… Há uma autêntica jornada ecuménica na caixa do motorista.
A Índia é o país no mundo que tem mais deuses. Literalmente um deus para cada coisa. Mas Deus não é de pedra, de pau, de barro ou de bronze.

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Criar santinhos como se tivessem poderes, aqui ou em Fátima, é tudo uma fonte de negócio. Ir ao templo oferecer bananas, ananás, ovos e arroz, beijar as estatuetas e colocar colares de flores pode ser tudo mas não é uma fé viva… É alimentar um negócio que está montado à porta dos templos, assim como no arraial do Monte na Madeira, os círios: um braço ou uma cabeça de cera é igual em todo o lado. Perguntam-me se fiquei chocado ao ver a imagem do Sagrado Coração de Jesus ao lado do deus tromba de elefante? Somente fiquei surpreendido. Os dois bonecos têm o mesmo significado. Nenhum representa o meu Deus que está vivo. A fé não necessita de imagens.

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Mudando de assunto, a Índia foi um país colonizado pelos britânicos e é membro da Commonwealth, mas a língua de Sua Majestade deixou de ser frequente nas conversas diárias dos seus habitantes. Longe vão os dias da administração britânica conhecida como o Raj: o hindi é a língua oficial da União Indiana, falada e escrita em modo Devanagari. O inglês é agora uma língua subsidiária. No entanto, é obrigatório para textos oficiais de todas as leis federais e decisões do Supremo Tribunal. E é uma das línguas no Parlamento indiano.

Tempo de Briadishvara
Tempo de Brihadishvara

Nestes quinze dias em que cá estou cada vez mais tenho as minhas dúvidas sobre se o inglês verdadeiramente persiste.  Lojas, carros, autocarros, restaurantes, todos utilizam o hindi. Há indianos que não exprimem uma palavra em inglês. Esta manhã, quando utilizei o autocarro para Thanjavur. a única palavra escrita em língua britânica era Express e no pára-brisas, por esquecimento, tinha três palavras em inglês: “Happy New Year 2016”, que certamente irão chegar a 2017 retirando somente o seis e colocando o sete…

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Brihadishvara: cúpula feita a partir de um bloco de granito com 80 toneladas

Thanjavur é uma cidade muito movimentada em comércio e turismo, com avenidas espaçosas, trânsito por vezes insuportável, com duas estacões rodoviárias, uma para autocarros que circulam dentro do município e outra para autocarros entre cidades. Deixei Chidambaram às 7 horas da manhã e cheguei a Thanjavur às 11 horas, quatro horas de cortar a a respiração, numa autêntica pista de “carros eléctricos”. Dá a sensação que a ideia que os indianos têm de condução é carregar no pedal, rodar o volante para a esquerda e para a direita, fazer curvas largas e não chocar a todo o custo. Tudo isto por entre uma miríade de autocarros, carros, camiões, motas, Tuk-tuk.

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A buzina é o elemento essencial. Se não existisse… É acessório fundamental. Pode avariar a embraiagem ou os travões, que anda na mesma, agora sem concerto de apitos ninguém anda, porque a buzina é o elemento que comanda o trânsito. Estou no coração da cidade e o hotel merece nota 20, embora seja preciso pagar com dinheiro à vista… o cartão Visa funciona em todos os outros, mas a maquineta está fora de serviço ou não tem conexão internacional.

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Adoração num dos templos laterais

Como curiosidade, registei nesta cidade três tipos de Tuk-tuk, como nunca tinha visto: um normal como há no Funchal, um médio e um extra large. Num dos próximos apontamentos irei mostrar as fotos, fica um alerta: pode alguém aproveitar a ideia e implantar esse negócio, resta a Antral estar de sobreaviso
que os taxistas das carrinhas poderão ter os dias contados…

A cidade de Thanjavur fica no delta do rio Kaveri. Durante quase mil anos esta cidade dominou a história política da região, tendo sido capital de três poderosas dinastias, as dos Chola, dos Nayakas e dos Maratas.

Museu Real
Museu Real

O majestoso templo de Brihadishvara é o monumento mais emblemático da era Chola, enquanto o palácio real remonta aos períodos Nayaka e Marata. A cultura de Thanjavur estende-se para além dos seus palácios e templos, abraçando também a música e as danças clássicas.

A' Bell Tower'
A’ Bell Tower’

O templo de Brihadishvara, feito em granito, é o expoente máximo da arquitectura Chola e hoje é considerado património mundial, erguido pelo rei Rajaraja Chola I .
A base do templo esta coberta com inscrições acerca das suas receitas e administração, sendo uma autêntica fonte de informação histórica sobre a sociedade e governo Chola.
A sua cúpula octogonal foi lavrada a partir de um só bloco de granito com 80 toneladas coroando a vimana (torre).

Imagem Mandapa de Nandi
Imagem Mandapa de Nandi

A imagem Mandapa de Nandi é sculpida a partir de um único bloco de granito com 25 toneladas. Esta gigantesca imagem tem seis metros de comprimento e esta virada para o altar sagrado.

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A passagem à volta do altar sagrado está adornada com frescos. Foram descobertos inicialmente com pinturas Marata do século XVII que os cobriam e começaram a desintegrar-se, revelando o que tinham por baixo.

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Dharbar Hall

Mas esta cidade oferece outras visitas: o Palácio Real, o Forte de Shivaganga, a Igreja de Schwartz e o Museu Real.

Gorupa toda em granito
Gorupa toda em granito

Amanhã iremos até à cidade de Tiruchirappalli que dista 60 km de Thanjavur; será a penúltima gorupa a visitar.