Relato para o FN de um madeirense em Nova Iorque: Fim-de-semana de sobressalto

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(Rua 23 e 5.º Avenida). Jornalistas de vários canais de notícias preparam-se para transmissões televisivas e dezenas de pessoas curiosas debruçam-se tentando ver o que se está a passar…

(Texto e fotos Emanuel A. S. Vieira)

Um madeirense assistiu, em Nova Iorque, a um fim-de-semana de sobressalto. A ameaça terrorista pairou sobre a cidade que nunca dorme. Emanuel Vieira contou ao Funchal Notícias o que se passou:

Na manhã de Sábado passado, em Seaside Park, Nova Jersey um dispositivo explosivo foi detonado, não ferindo ninguém. Mais tarde pelas 20:39 no bairro de Chelsea, em Nova Iorque, outro dispositivo detonou na rua 23 entre a 5.ª e 6.ª avenidas ferindo 29 pessoas e causando estragos consideráveis em vários edifícios e automóveis nas zonas circundantes. Um pouco mais acima, na rua 27, um outro dispositivo explosivo não detonado foi encontrado.

Na noite de Domingo um quarto dispositivo foi encontrado não detonado, em Elizabeth, Nova Jersey.

Foi salientado pelas autoridades que todos estes dispositivos são caseiros, criados com substâncias e objetos que podem ser adquiridos em qualquer lugar, como as panelas de pressão ou tubagem, e a adição de telemóveis para ativar a detonação.

nova-iorque2Na manhã de segunda-feira pelas 8:05, os Nova Iorquinos foram surpreendidos por um alerta extremo nos seus telemóveis vindo das autoridades estatais e que pedia a colaboração dos cidadãos para encontrar o suspeito de nome Ahmad Khan Rahami.

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A mensagem que chegou via telemóvel a todos os habitantes.

A mensagem dizia para que se consultasse os media para obter a foto do suspeito e para se ligar para o número de emergência caso o suspeito fosse avistado.

Estas mensagens apenas de texto são difundidas regra geral em casos de emergência tal como estados meteorológicos extremos e aparecem no ecrã de qualquer telemóvel mesmo estando o mesmo bloqueado.

Foi a primeira vez que as autoridades americanas utilizaram esta tecnologia para este efeito, tornando a ‘caça ao homem’ numa espécie de investigação através de “crowdsourcing” com a ajuda de todos.

nova-iorque3Finalmente a procura por Ahmad acabou pelas 11:00 da manhã desta segunda-feira com um tiroteio em frente a um bar em Linden, Nova Jersey quando o dono desse bar o identificou e prontamente contactou a polícia.

O jovem americano de 28 anos que se radicalizou após uma visita ao Afeganistão em 2011, foi ferido durante o tiroteio e detido pela NYPD, estando no momento hospitalizado.

Apesar deste cenário horrível na cidade que nunca dorme, os cidadãos nova-iorquinos não se deixaram intimidar, e as ruas adjacentes ao atentado, fervilhavam de vida quotidiana já na manhã de Domingo, pelos locais, assim como pelos milhares de turistas que todo os anos visitam a mais famosa cidade norte-americana.

Tendo falado com várias pessoas, de família, amigos e colegas de trabalho, o sentimento que vê transparecer é comum: Tranquilidade.

A razão é simples. A Nova Iorque de 2016 é muito diferente da Nova Iorque pré 11 de Setembro de 2001. Esta cidade e os seus habitantes que já muito sofreram, tornaram-se mais fortes e resilientes, e apesar de saberem que estas tragédias são impossíveis de se evitar, olham sempre o futuro com esperança e optimismo.