Pode um helicóptero aterrar no centro do Funchal? Pode sim senhor…

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Rui Marote

O mistério

O ‘héli’ da Força Aérea está sediado no Porto Santo. graças ao general Lino Miguel, a quem temos de homenagear como aquele que desenvolveu grandes esforços para que a RAM tivesse um helicóptero. Qualquer evacuação da Ilha Dourada, no entanto, obriga esta aeronave a aterrar no aeroporto do Funchal. Dali, o evacuado tem de ser transportado para o Hospital do Funchal, em ambulância, com todos os atrasos inerentes.

Embora o hospital Dr. Nélio Mendonça disponha, no piso superior de um dos edifícios do parque de estacionamento, de uma pista de helicópteros, a mesma não tem condições para uma aterragem segura, já que a mesma causaria danos nas instalações hospitalares e nos prédios vizinhos e terrenos agrícolas, uma vez que a força das pás do ‘héli’ provoca grande deslocação de ar. Mas, se fosse possível, seria óptimo, já que o evacuado seria depositado a poucos metros do hospital.

Houve alturas em que o ‘heli’ aterrava no quartel militar em São Martinho, mas, por razões que desconhecemos, estas operações deixaram de acontecer.

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Com a saída do ‘héli’ turístico que se encontrava estacionado nas instalações do varadouro de São Lázaro, projectou-se, com as obras da nova marina junto ao cais do Funchal, uma plataforma de enormes dimensões que seria no futuro a zona de embarque do ‘héli’ turístico. Ela existe, mas o ‘héli’ foi-se. Temos o local, mas não temos a ‘borboleta’. Este foi um investimento feito, mas nunca utilizado. Caiu no esquecimento dos nossos governantes.

Porque não a utilização, para o Merlin da FAP a umas centenas de metros do Hospital? Muitas vezes se perde uma vida porque o socorro não foi suficientemente rápido.

No Porto Moniz, foi construída uma pista junto ao cais, que nunca funcionou por falta dos certificados de operacionalidade. Dinheiro a arder que saiu dos nossos bolsos e de apoios comunitários.

Voltando ao Funchal: o espaço existe, e está preparado a nível de piso para a tonelagem deste tipo de helicóptero da FAP. Falta somente a certificação, sinalização, cone de ventos e vedar o espaço como medida de segurança.

A Polícia Marítima e a GNR, que se encontra a cerca de 200 metros, poderiam prestar apoio a nível de segurança em terra durante a aterragem e descolagem desta aeronave.

O “segredo”

O Funchal Notícias desvenda o mistério. Com os temporais do 20 de Fevereiro e com a Lei de Meios, a frente de mar da Avenida sofreu uma transformação enorme.

A comunidade europeia auxiliou-nos com milhões de euros e o projecto apresentado foi aprovado. Acontece que nesse projecto nada constava acerca da construção de uma pista para helicópteros. Por conta e risco da vice-presidência do Governo, na altura sem apresentar alteração à UE, construiu-se um espao destinado a um futuro estacionamento de uma aeronave com a finalidade de substituir a provisória em São Lázaro numa altura em que já não existia ‘héli’ na RAM.

Hoje, o Governo de Miguel Albuquerque já deu ordens a Eduardo Jesus, secretário da Economia, responsável por aquele espaço junto ao cais 8, para legalizar junto da UE alteração ao projecto, em conjunto com a Secretaria Regional de Sérgio Marques, que tem o pelouro dos Assuntos Europeus.

Todo este processo vem-se arrastando na gaveta do secretário regional da Economia, que não anda nem desanda. Sabemos que há duas companhias de heli-turismo interessadas em ter os seus serviços na Madeira: a Héli-Bravo e a Everjet, que podem vir a assinar com o Governo um contrato em matéria de socorro a incêndios, montando um dispositivo de ‘balde’ para atacar os fogos logo no início da propagação.

Conclusão: temos uma pista clandestina, mas não temos helicóptero de lá aterre, para nenhum fim, nem de evacuação de feridos, nem de turismo, nem de combate aos incêndios, numa ilha que é cada vez mais um destino turístico de referência.