Crónica Urbana: “Está tudo bêbado”

fogo

Rui Marote

Esta frase popular não é empregue só em circunstâncias vulgares. Ouvi-a da boca do presidente da mesa do XX Congresso do PSD em Tavira, em 1998… e ajusta-se ao planeamento da ajuda àqueles que ficaram sem as suas casas nos incêndios. Ontem à noite assisti num canal de televisão nacional à entrega de materiais de construção. Se não visse não acreditava. Como é possível entregar sacos de cimento a quem ficou com a casa reduzida a cinzas? É como quem diz, toma e começa a construir… Uma casa que só tem as paredes de pé, que há a fazer? Em primeiro lugar, limpar o terreno, levando todo o entulho. A partir daqui, aproveitar as paredes em boas condições para iniciar a reconstrução. Nessa altura vem a areia, os blocos, o ferro e por último o cimento… isto é o ABC da construção. Se a casa estiver reduzida a cinzas, pior: é necessária uma planta antes de começar a construir. Mas muito antes disso, é preciso saber se o morador é o dono da casa. Aqueles que são inquilinos é que vão construir?

Isto não é a mesma coisa que dar compras de um supermercado. Tem de haver um plano, e um acompanhamento, senão a “favela” aumenta.

Paulo Cafôfo começou por cifrar os prejuízos em 55 milhões de euros. Ontem falando para Lisboa, já era 70 milhões. Daqui a pouco é o Euro Milhões.

Porque não concurso público para a construção dessas casas depois de avaliadas? As grandes construtoras, num abrir e fechar de olhos, põem as 170 casas prontas. Sabemos quanto vamos pagar, e existe uma factura-recibo.

Agora, colocar os materiais à porta é o mesmo que dar chapas de zinco em campanha eleitoral. É um amadorismo que só merece aquela frase: “Está tudo bêbado”.