Veja o Antes e Depois da passagem das chamas: “Foi um milagre!”

A casa de Zita Gomes por entre o cinza da encosta.
A casa de Zita Gomes por entre o cinza da encosta.

Há situações inexplicáveis. Que o diga Zita Gomes. Tão surpreendentes que esta moradora de São Roque arrisca na palavra milagre.

E não é para menos. Desafiando todas as probabilidades que já ditavam tragédia certa, eis que Zita, como tantos outros vizinhos funchalenses, conheceram a lotaria dramática que foi acontecendo à passagem do fogo, por diversos pontos da cidade. Uma roleta russa que a uns poupou e a outros, mesmo ao lado, tudo levou, haveres e até vidas.

Foi o que aconteceu com esta mulher, cuja moradia se debruça numa das encostas da Fundoa, uma das áreas muito fustigadas pelos incêndios.

No meio de uma zona toda ela enegrecida pela voragem das chamas, à Estrada Comandante Camacho de Freitas, uma casa desponta na sua alvura. “Não queimou nada a não ser o terreno à volta e a escarpa, de cima a baixo. O lume passou pela casa, mas deixou-a intacta. A razão, eu não sei. Fugi de lá eram duas da manhã. O calor era insuportável e o ar abrasador. Deixei nas mãos de Deus.”, suspira a moradora ainda a recuperar do susto da madrugada de 9 de agosto.

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A moradora ainda recupera do susto. Não consegue explicar como ela e outros vizinhos escaparam à dança do fogo.

Ao longe, donde nos encontramos, o cenário é agora sereno, igual a tantas outras manhãs soalheiras. Completamente distinto do que a equipa do FN encontrara há cinco dias, às primeiras horas de terça feira, naquele mesmo local.

Curiosamente captáramos a imagem daquele mesmo local, numa altura em que já ninguém, pelo menos em São Roque, duvidava que o fogo, alimentado por ventos de 90km/hora e temperaturas a rondar os 35 graus, mudara de direção e reclamava por mais.

Imagem captada do mesmo local, cinco dias antes. O fo preparava-se já para descer até ao Funchal.
Imagem captada do mesmo local, cinco dias antes. O fogo preparava-se para descer até ao Funchal. A casa de Zita, já envolta em fumo, ficou no caminho.

À distância de poucos dias, na presença do Antes e Depois, percebe-se a impotência do ser humano perante os elementos.

“Já nada podia fazer. Eu e a minha filha deixamos tudo para trás, convencidas que nunca mais voltaríamos. Foi um milagre”.

Na zona, muitos outros partilham desta opinião. Também eles fintaram as voltas ao lume. No entanto, não aguentam todos os anos passar por esta incerteza. Desde o 20 de fevereiro que as catástrofes têm sido sucessivas. “Agora, estamos sempre com o coração nas mãos, dê sol ou chuva”.