
Caso se concretize a polémica medida de atribuir ao Aeroporto da Madeira a designação ‘Cristiano Ronaldo’, o futebolista será o segundo madeirense a ter um aeroporto ou aeródromo em seu nome. Na verdade, e conforme o FN foi oportunamente alertado pelo leitor José Luís Sousa Freitas, o aviador José Costa, nascido no Caniço em 1909, foi o dono do actual Corning-Painted Post Airport, antes denominado Costa Field. Um aeródromo situado no Estado norte-americano de Nova Iorque, para onde o madeirense emigrou aos 6 anos de idade e onde viveu, até falecer em 1998.

José Costa, um emigrante precoce em terras estadunidenses, ficou para a História como um pioneiro da aviação. Em 1936, a bordo do seu avião Lockheed Vega, tentou realizar um voo entre os EUA e Portugal, com escala no Brasil. Foi o último acto de empreendedorismo transatlântico na ‘idade de ouro’ da aviação, que registou grandes feitos.
Costa fundou uma empresa de aviação que ainda hoje tem o seu nome: Costa Flying Service, a qual opera no supracitado aeroporto. O seu filho, Joseph Richard Costa, ficou a gerir a empresa de aviação Costa Flying e é actualmente o director do aeródromo.

José Costa falava português e nunca perdeu a ligação com a terra que o viu nascer. O seu voo entre os EUA e Portugal trouxe-lhe grande notoriedade, e o avião, apesar do registo norte-americano, tinha a cruz de Cristo na fuselagem. O Lockheed Vega terá sido anteriormente pilotado pelo pai do astronauta Edwin ‘Buzz’ Aldrin.
Desde 1930 que José Costa sonhava em voar desde o EUA até à Madeira, embora a primeira aterragem na ilha só se tenha tornado possível em 1957. Visou, então, chegar a Portugal continental, mas as autoridades norte-americanas não autorizaram o voo directo, por causa do começo da Guerra Civil de Espanha. Daí o necessário desvio para a América do Sul.
O voo começou do American Airlines Field, agora Elmira-Corning Airport, para San Juan de Porto Rico, com escala em Miami. O mau tempo obrigou-o a aterrar em Jacksonville, Florida. Foi depois para San Juan, mas mais uma vez as más condições meteorológicas obrigaram-no a aterrar em Santo Domingo, na República Dominicana, em meio a um golpe de estado. Foi preso, mas libertado no dia seguinte. Voou então para Paramaribo, Guiana Holandesa, e depois para Belém, no Brasil. A parte complicada foi um voo por cima da selva brasileira rumo ao Rio de Janeiro, quando a falta de gasolina, que fora roubada de um dos tanques do avião, o forçou a aterrar de emergência num campo na cidade do Serro, Minas Gerais, a 15 de Janeiro de 1937, sofrendo, felizmente, apenas ferimentos leves. O avião, todavia, ficou destruído. Salvou-se apenas o motor. Completou o último trecho até ao Rio a bordo de um avião que lhe foi emprestado pela Aviação Militar Brasileira.
Acabou por não ir mais longe, mas as suas peripécias foram bastante noticiadas no Brasil, e a comunidade portuguesa prestou-lhe honrarias. O seu voo é relatado no livro ‘Revolution in the Sky: The Lockheeds of Aviation’s Golden Age’.
Durante a 2ª Guerra Mundial, José Costa foi encarregado de examinar cadetes nas forças aéreas dos vários ramos militares americanos. Esteve em vários centros de treino de pilotos, inclusive em estados como o Iowa e o Kansas. Depois da guerra, dedicou-se à aviação civil. No seu aeródromo, realizava shows aéreos e outros eventos, e fundou a sua companhia de aviação.
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