
A Conferência dos Representantes dos Partidos, que hoje reuniu na Assembleia Legislativa Regional, decidiu, numa deliberação unânime, “condenar e repudiar o comportamento reiterado” do deputado do PTP, José Manuel Coelho, “no dia da Região Autónoma da Madeira e nas reuniões plenárias de ontem e de hoje”. Mais: vai “apresentar uma queixa-crime junto das entidades competentes dando notícia dos factos anteriormente referidos”. A Conferência refere que “tudo fará para que o Parlamento Regional funcione regular e normalmente na defesa dos interesses dos madeirenses e porto-santenses”.
Esta decisão surgiu na sequência dos acontecimentos da manhã de hoje, quando o deputado José Manuel Coelho, fortemente criticado pelo parlamentar social-democrata Carlos Rodrigues por ter exibido uma bandeira do autoproclamado Estado Islâmico na cerimónia comemorativa do Dia da Região na ALRAM, na presença do presidente da República, insistiu em justificar a sua posição no plenário mesmo depois do presidente do Parlamento, Tranquada Gomes, lhe ter retirado a palavra. Socorreu-se, então, de um megafone, através do qual foi afirmando, entre outras coisas, que os combatentes do tempo da ditadura sofreram para que ele, Coelho, pudesse ter hoje liberdade de expressão, pelo que não se calará mesmo que todos estejam contra ele.
A exibição da bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico no Dia da Região foi considerada despropositada e excessiva por muita gente, mesmo que se enquadrasse numa acção política de protesto. Foi, aliás, isso mesmo que Coelho disse na altura e procurou justificar mais tarde, enviando um vídeo com declarações suas à comunicação social. No mesmo, afirma que os fundamentalistas não são apenas os do EI, “que põem bombas e matam pessoas no Extremo Oriente [sic] e na Europa: são também aqueles fundamentalistas camuflados que existem mesmo na nossa democracia aqui na Região”, afirma, acusando mais uma vez a magistratura de “assobiar para o lado perante a corrupção” e que acusou de limitar a liberdade de expressão.
José Manuel Coelho, assume, no vídeo, que pode “ser alvo da incompreensão dos cidadãos”, que, refere, “não se apercebem da importância” da acção que tomou perante o presidente da República, o mais alto magistrado da Nação.
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