
O militante do CDS-Madeira, João Catanho mandou à líder do partido, Assunção Cristas, uma carta aberta onde tece duras críticas à atual gestão regional do partido liderada por Lopes da Fonseca.
Eis o teor da carta:
“Ex.ma Sra. Dra. Assunção Cristas, venho por este meio transmitir a minha indignação face a várias situações verificadas nesta nova direção do CDS-PP-Madeira. Já manifestei publicamente algumas das situações, não obtendo uma resposta minimamente razoável. Passarei a descrever alguns factos, em que existe uma clara negligência e atropelo aos princípios democráticos, por parte dos órgãos de decisão do Partido:
1- Congresso – Graves ilegalidades relativas ao último congresso do CDS-PP/M, que começou com uma mini campanha cheia de boicotes, imparcialidade e abuso de poder, que culminou com um ilegal requerimento, dirigido à mesa do congresso e, posto à votação, contrário à ordem de trabalhos aprovada previamente em CR. Esta votação foi realizada com várias irregularidades: convidados a votar, congressistas/funcionários do partido que não exerceram voto expresso (nem a favor, contra ou abst.), entre outras que deram origem a um pedido de impugnação, que até hoje não sei se deu entrada nos órgãos nacionais do partido competentes para o efeito; Este episódio manchará a rica história do CDS (regional e nacional), não escondendo a recusa deliberada de debater, abrir e pensar o partido, fruto de um de uma conhecida negociata de partilha de cargos, em nome da união, pontes e aquedutos, baseadas em auto-intituladas missões;
2- Demissões – A atual Vice-Presidente da Assembleia Legislativa Regional, pediu demissão do cargo de Presidente da Mesa do Congresso, facto que deu origem a uma reunião da CPR, como se de um Tribunal se tratasse, seguida de uma repreensão pública em conferência de imprensa, pondo em causa a sua imagem pública. Este triste acontecimento, que devia ser resolvido internamente, deveu-se única e exclusivamente a uma exigência desta dirigente, que a legalidade nos cargos dos funcionários da Assembleia Regional fosse cumprida. Posteriormente, foi a vez da Presidente do Concelho de Jurisdição e Disciplina bater com a porta, alegando aos órgãos de comunicação social (DN da Madeira), estar a ser vítima de “pressões políticas” de Fonseca e Barreto, para acelerar processos disciplinares. Ao DIÁRIO, a ex. Presidente, não quis adiantar muitos detalhes, no entanto, confirmou a abordagem feita tanto do presidente dos centristas madeirenses como do líder da bancada do PP na Assembleia Legislativa: “Não aceito pressões seja de quem for muito menos ordens para acelerar processos que merecem o maior cuidado, rigor, transparência e profissionalismo”.
3- Eleições – Foram realizadas eleições para a C.Funchal, tendo sido verificadas várias ilegalidades: almoço da lista ganhadora duas horas antes da urna abrir, testemunho público de vários históricos militantes que foram alvo por parte de um funcionário da sede, de tentativa de influenciar o sentido de voto e mobilização de carrinhas para levarem militantes a votar, superando e lembrando as práticas nada ortodoxas do PPD/PSD durante décadas;
4- Processos disciplinares – existem dois militantes notificados de processos disciplinares, sendo eu um dos visados. Estes são baseados em escritos no “facebook”, jornais e assinaturas consideradas nulas, por supostos falsos argumentos dos proponentes. Esta nova liderança tem sido pautada por sistemáticas mentiras, farsas, doentios laivos de afirmação de autoridade, negociatas, ameaças e perseguições. Num partido supostamente democrático, ninguém pode ser expulso por delito de opinião e liberdade de expressão – a isto se chama vida em Democracia;
5- Potenciais inscrições – no mês de Novembro do ano transato, foram realizadas inscrições no partido, que até ao dia de hoje, passados oito meses, estes potenciais militantes continuam à espera. Eu próprio e, outras pessoas que se encontram nesta situação, confronta-mos a Secretaria-geral do Partido, tendo como resposta um conjunto de argumentos, ou falta deles, que originaram grande indignação a muita gente da sociedade civil. Estes casos demonstram uma tentativa de fazer com que estas pessoas percam a vontade e paciência para aturar estes atos com laivo ditatorial. Pelo contrário, tenho conhecimento de inscrições realizadas nos três primeiros meses do corrente ano, tendo estes processos um célere despacho para votarem na lista vencedora para o Funchal;
6- Cargo de Secretário Geral – como é do conhecimento público, o Secretário Geral do Partido, foi condenado num processo de corrupção. Afirmou publicamente que iria suspender os cargos de deputado, na Assembleia Regional e Municipal, tendo-o feito em relação ao primeiro e não na Autarquia do Funchal. Em relação à sua continuidade (19 anos) à frente da Secretaria Geral, a Comissão Política Regional, após reunião, manifestou apoio e interesse na mesma, provocando uma vez mais, forte indignação e demonstrações de alegada perda de credibilidade da Instituição – CDS – na opinião pública. Em democracia, a transparência tem que ser um bem valioso, sagrado, protegido e respeitado. Este facto, não só já provocou algumas demissões públicas no Partido, como põem em causa a boa fé, democraticidade e ética dos seus dirigentes, não disfarçando o clima de medo, e estranha cumplicidade em abafar situações respeitantes às contas do CDS-PP/M.
Em meu nome e de outros militantes, pedia a vossa excelência como Presidente do Partido, que apurasse e exigisse responsabilidades, considerando muito grave o estado em que se encontra o Partido, sendo certo que se tudo continuar como está, eu próprio darei entrada de um processo, no Ministério Público, por fortes indícios de corrupção no CDS/PP-M.
Continuarei a lutar para que o partido mude, seja construído através das suas bases, seja descentralizado, aberto e transparente!
Respeitosos cumprimentos do militante,
João Luís de Freitas Catanho da Silva.”
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