Incerteza

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Esta é a palavra que melhor descreve o futuro próximo, em Portugal. Com este governo e a sua política os graus de incerteza são muito significativos. Vamos ser capazes de crescer e acomodar o serviço da dívida? Ou, pelo contrário, iremos num horizonte próximo regressar ao incumprimento?

Compreendemos a recente afirmação do ex-presidente do Governo da Madeira, quando manifestou preferência pelo estilo do actual Primeiro-ministro relativamente ao anterior. Todos nós gostamos de anunciar crescimento e prosperidade. A grande questão é se o podemos fazer com realismo sobre o comportamento da economia portuguesa nos tempos actuais.

Verdadeiramente, independentemente das querelas políticas, realmente o que eu gostaria era de poder afirmar que a economia nacional segue um passo sólido de crescimento, sustentável, obviamente, com o Investimento em forte crescimento e as Exportações dando cartas no panorama internacional.

Nada disto parece poder vir a tornar-se realidade nos tempos mais próximos. O mais grave é que o actual governo vende um cenário diferente, enquanto o tempo de governação ainda o permite e os dados estatísticos possibilitam alguma incerteza interpretativa.

Vejamos, em primeiro lugar, o crescimento da economia portuguesa. No primeiro trimestre de 2016 o ritmo de crescimento da economia portuguesa desacelerou, fixando-se em 0,9 pontos percentuais. Como a meta governamental para 2106 é de 1,8%, significa que, para que esta meta seja atingível, a economia portuguesa terá de crescer trimestralmente, até final do ano, a uma taxa de 2,1 pontos percentuais.

Vamos ser capazes de o fazer? Muito dificilmente, na medida em que as economias com as quais comercializamos também manifestam alguns sinais de enfraquecimento, nomeadamente mercados chave como Angola e Brasil bem como a constatação de algum arrefecimento nas economias europeias, existindo pouca margem de manobra interna para estimular os Gastos Públicos e o Consumo Privado.

O Investimento, essencial para que possamos crescer sustentadamente e duradouramente, decresceu no primeiro trimestre de 2016 face ao trimestre homólogo 2,2%, a primeira contracção homóloga desde 2013. Evidentemente que para existir investimento é preciso haver confiança no futuro e estabilidade política, o que não é exactamente o quadro em que vivemos, ou pelo menos o que os investidores percepcionam.

As Exportações, fundamentais para o nosso futuro, precisam de ser fomentadas. Mas este é um pensamento que deve presidir ao Governo, qualquer que ele seja, e deve estar sempre presente. Mas é preciso saber o que vamos exportar, de modo a que sejamos competitivos, ou seja, é preciso fazer o trabalho de casa. E é possível ter sucesso, como o comprovam os números. As Exportações em 2010 representavam 31 por cento do PIB, contra 43 por cento em 2015. Vamos prosseguir este caminho!

No primeiro trimestre de 2016 as Exportações cresceram apenas 2,2%, sendo que o contributo do comércio externo (Exportações menos Importações) para o PIB foi negativo em -1,1%. O PIB só cresceu 0,9% à conta do Consumo das famílias que apresentou uma variação positiva de 2,9% em igual período, sendo que a Procura Interna aumentou 2% face ao período homólogo.

Caminho errado. Não deve ser o Consumo Privado o motor da economia. É bom que cresça, claro, mas que os motores sejam o Investimento e as Exportações. Até porque, crescendo o Consumo aumentam as Importações.

Os dados apontam assim para que haja prudência na tomada de medidas que, sendo populares porque significam maior rendimento disponível individual, significam simultaneamente aumento de despesa.