
Miguel Albuquerque pode ter vindo a público clarificar que o Centro Internacional de Negócios da Madeira, na sua perspectiva, não é um offshore, mas essa não é a principal questão para o coordenador regional do Bloco de Esquerda, Roberto Almada, que diverge da posição de Catarina Martins, porta-voz e dirigente nacional, que pediu hoje pura e simplesmente a extinção da praça financeira da Madeira. O importante, sublinha o líder madeirense do BE, é a clarificação. Questões sobre se o CINM é um offshore ou não é um offshore são, no seu entender, matéria de semântica”.
“Quem fala pelo Bloco de Esquerda da Madeira, sou eu”. É desta forma assertiva que Roberto Almada traça a linha que o divide da posição hoje assumida por Catarina Martins.
O BE, diz, sempre teve uma posição favorável a empresas que criem postos de trabalho efectivos, paguem os seus impostos e deixem riqueza na Região Autónoma da Madeira. “Fiquem elas no Caniçal, na Ponta do Pargo ou no Porto Moniz, ser-lhes-emos sempre favoráveis”, assegurou.
Mas Almada não se pode abstrair do facto de que “no CINM têm existido, ao longo dos anos, várias situações, no mínimo, obscuras e confusas. Todos nós nos recordamos de investigações que foram levadas a cabo pela polícia italiana, sobre supostas operações no CINM de empresas que tinham negócios pelo menos duvidosos… Mais recentemente, o semanário Expresso dava conta de que existia uma empresa no CINM que estava envolvida no escândalo do Mensalão no Brasil… Sem esquecer os casos de empresas que estavam registadas no CINM, que não tinham um único trabalhador, que movimentavam milhões e milhões de euros e que, além disso, não tinham correspondência efectiva, ou quando muito, tinham no edifício do Marina Forum apenas um apartado”.
Roberto Almada realça que estas situações são públicas, e não são invenções do Bloco de Esquerda. “São factos comprovados e relatados até pela Imprensa”, refere.
A posição do Bloco na Madeira, esclarece, é que é importante a empresa concessionária do CINM e o Governo Regional virem a público esclarecer cabalmente estas situações.
Quando há cerca de três meses o Expresso abordou que no CINM existiria uma empresa envolvida no escândalo do Mensalão que abalou o Brasil, o BE pediu a presença do secretário regional das Finanças e do presidente da SDM no parlamento, para explicarem, “a bem da Madeira, a bem da transparência da praça financeira madeirense”, os contornos desta notícia e da sua veracidade ou não, o PSD chumbou essa propostas e “não deixou que viessem ao parlamento para explicar essas situações”.
Por isso, o BE, face às mais recentes notícias, está a preparar um pedido de audição parlamentar, onde pretende novamente chamar estes responsáveis para serem ouvidos sobre o que há de verdade, ou não, sobre as novas acusações que têm vindo a lume. Nomeadamente, “o envolvimento de empresas do CINM com este escândalo dos Papéis do Panamá”.
De forma cautelosa mas assumida, Roberto Almada diz que “o Bloco de Esquerda da Madeira, antes de formular qualquer juízo de valor sobre esta situação, espera que haja a decência, a lucidez e a sensatez do PSD na Assembleia Legislativa, em aprovar este pedido de audição parlamentar”.
Antes disso, o BE e os deputados na ALR “não irão tomar posição”.
Confrontado com o facto de ter havido, ultimamente, uma convergência dos outros partidos favorável à defesa do CINM, e críticas ao BE por causa das reservas que tem relativamente ao mesmo, Roberto Almada diz que o seu partido não recebe lições de nenhum partido quanto a defesa da autonomia, nem quanto a transparência na vida pública e política.
“Há situações que requerem transparência, e continuaremos a suscitar todas as situações que nos parecerem duvidosas, promete. E há situações no CINM, sobretudo na praça financeira, que requerem explicações. A discussão sobre se é um offshore ou não, é semântica e não é importante. Importante é acabar com os paraísos fiscais. Não os aceitamos. Aceitamos, isso sim, zonas fiscalmente mais favoráveis, para promover o emprego, o crescimento da economia, e para deixar impostos na RAM”.
Almada diz que é verdade que há empresas sediadas na Zona Franca Industrial que deixam impostos na Madeira, e a Madeira precisa delas, e situações fiscais mais favoráveis nos concelhos economicamente deprimidos, para fixar as empresas, a população e criar emprego. Mas situações mais nebulosas exigem clarificação.
“Nos últimos anos, houve empresas que se fixaram no CINM que não criaram um único posto de trabalho, que praticamente não deixaram impostos na Região, e isso não é aceitável porque prejudicaram os madeirenses”, salientou ao Funchal Notícias.
Para o BE, não é aceitável que existam empresas, seja onde for, que “não criem empregos, não paguem impostos e sirvam para fazer lavagem de dinheiro”.
Se os responsáveis conseguirem provar que não há qualquer fundamento nas críticas que foram feitas ao CINM, “terão do BE os aplausos e o apoio”, garantiu.
Relativamente à divergência entre esta posição e a de Catarina Martins, que defende já a extinção da praça financeira da Madeira, Roberto Almada deixa claro: “Antes de ser dirigente partidário, que sou, com muito orgulho e muita honra, sou madeirense. Naturalmente que o meu partido tem a posição que entende. Quem fala pelo BE nacional é a minha camarada Catarina Martins, que eu muito prezo, mas quem fala pelo BE Madeira sou eu”.
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