Favila Vieira: o embaixador da Madeira no mundo

 

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Fotos Rui Marote

No Funchal, frequentou o Colégio da Apresentação de Maria e o Liceu Jaime Moniz. Em 1957, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e fez o estágio de advocacia no escritório do padre Dr. César Teixeira da Fonte, em Lisboa.

Embora tenha iniciado a sua atividade profissional nos Serviços de Ação Social do então Ministério das Corporações e Previdência Social, em 1959 ingressou na carreira diplomática como adido de legação, com dispensa da prestação de provas no concurso de acesso à carreira.

No ano seguinte, estando colocado na Secretaria de Estado, foi nomeado Secretário da Comissão encarregada de coligir os documentos relativos à política externa de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial e de preparar a respetiva publicação.
Em 1961 partiu para o seu primeiro posto no estrangeiro, o Rio de Janeiro. Aí permaneceu até 1965, altura em que foi confirmado na carreira diplomática, com a categoria de 3.º secretário de legação, e promovido a 2.º secretário de legação.

Em 1964, foi em comissão de serviço e como encarregado de negócios interino para a Embaixada em Santiago do Chile. Em março de 1965 deixou o Rio de Janeiro para assumir o Consulado em Durban. Fê-lo durante dois anos. Da sua atividade de cônsul em prol da comunidade portuguesa, então sobretudo madeirense, ficou o Clube Português do Natal. O seu posto seguinte foi em Madagáscar. Não havendo representação diplomática portuguesa nesse território, entre julho e dezembro de 1967 foi integrado na Embaixada da República Federal da Alemanha em Tananarive, como encarregado da proteção dos interesses de Portugal nesse país. Já 1.º secretário de embaixada, foi depois encarregado de negócios até 1971.

De regresso a Lisboa, em 1972, exerceu várias funções no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Ficou aprovado no concurso de acesso à categoria de conselheiro de embaixada, aberto em 1973, e no qual apresentou a tese “Madagáscar – A Ilha – Encruzilhada”.

Em 1974, após seis meses em Roma como auditor do Colégio de Defesa da NATO, e já conselheiro de embaixada, foi nomeado chefe da Repartição das Organizações Políticas Internacionais.
Dois anos depois, foi colocado como conselheiro de embaixada em Viena. Na Agência Internacional de Energia Atómica, foi alternante do governador e, de novembro de 1977 a maio de 1978, assegurou interinamente as funções de governador.

Chegou a Angola, em 1979, no rescaldo da independência, e, durante três anos, a sua missão de cônsul-geral consistiu mormente em assistir os presos portugueses, muitos sem culpa formada e torturados. Em 1982, foi por isso agraciado pelo Presidente da República, General Ramalho Eanes, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. No mesmo ano, foi ainda promovido a ministro plenipotenciário de 2.ª classe e nomeado representante permanente adjunto na Missão Permanente de Portugal junto das Organizações Internacionais em Genebra. Presidiu à delegação às 15.ª e 16.ª sessões do Grupo Consultivo Comum do Centro de Comércio Internacional (UNCTAD/GATT); e à delegação à 48.ª sessão do Conselho do Comité Intergovernamental para as Migrações, do qual foi eleito vice-presidente no final desse ano.

Em 1985, foi ainda encarregado de negócios interino dessa Missão Permanente e, nessa qualidade, colaborou no processo de adesão de Portugal ao CERN. Promovido a ministro plenipotenciário de 1.ª classe no mesmo ano, assumiu o cargo de Chefe dos Serviços Jurídicos e de Tratados em fevereiro de 1986.

Em 1989, foi agraciado pelo Presidente da República, Mário Soares, com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito. Depois de ter chefiado os Serviços Jurídicos e de Tratados, foi colocado na Embaixada em Havana, com credenciais de Embaixador, nos finais de 1989. Como Embaixador de Portugal presidiu aos trabalhos no quadro da 1.ª presidência portuguesa do Conselho das Comunidades Europeias, em 1992, e acompanhou a delegação portuguesa no VIII Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes (de 27/08/1990 a 07/09/1990), o qual contribuiu para o sucesso da participação portuguesa, incluindo a eleição de Jorge de Figueiredo Dias para presidente da Fondation Internationale Pénale et Penitentiaire.
Em outubro de 1993 foi colocado na Embaixada em Praga, com credenciais de Embaixador, e um ano depois foi acreditado como Embaixador não residente em Bratislava. Marcaram a sua atividade, nos dois postos, as visitas do Ministro dos Negócios Estrangeiros checo e do primeiro Presidente da Eslováquia a Portugal, tendo sido chamado em serviço a Lisboa para ambas, bem como a visita de Estado do Presidente da República Mário Soares à República Checa, todas em 1994. Nomeado Embaixador do quadro em janeiro de 1995, no final desse ano, passou à disponibilidade em serviço por limite de idade e continuou em Praga, em comissão de serviço, até março de 1996.

Faleceu, em Lisboa, a 03/11/2012.

Escreveu para o Jornal da Madeira; para o Diário de Notícias do Funchal; para O Debate; e para A Ordem. No Posto Emissor do Funchal, teve o programa “Se me permitem”.
Publicou, em português e francês, o opúsculo Andriamanelo – Um Príncipe Português em Madagáscar.
Recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique; e foi Cavaleiro da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil.

Nota: dados in Público, Sociedade, Personalidades.

Mais se acrescenta que os dados aqui apresentados foram extraídos do projecto Aprender Madeira, financiado por fundos públicos, e  que se predispõe a apresentar um dicionário enciclopédico da História da Madeira que ficará na sua versão online completa e gratuita para usufruto público. Reproduzimos o link do artigo inserido no Aprender a Madeira.

http://aprenderamadeira.net/vieira-fernao-manuel-homem-de-gouveia-favila/