Descontentamento na ginástica aeróbica motiva queixa na Federação

ginástica aeróbica sporting clube da MadeiraPais e encarregados de educação das atletas de ginástica aeróbica do Sporting Clube da Madeira estão decididos em avançar com uma queixa para a Federação. Suspeitas quanto à isenção do painel de juízes e alegadas falhas nas classificações atribuídas nos últimos anos em provas regionais estão na origem do descontentamento.

O torneio do passado dia 28 de fevereiro – Troféu Marta Moreira -, realizado no pavilhão do Caniçal, foi a gota de água. No final, as ginastas do Sporting Clube da Madeira (SCM) ficaram afastadas dos lugares cimeiros. Das 11 categorias e escalões em competição, em que se defrontaram elementos do SCM e da Associação Grupo de Jovens Caniçalenses (AGJC), as únicas duas equipas atualmente a praticar ginástica aeróbica na Região, as sportinguistas apenas conseguiram o primeiro lugar em duas delas. Uma situação que tem sido recorrente nos últimos anos e que, segundo os pais, não reflete a qualidade do desempenho das suas atletas. Para comprovar o que dizem recorrem aos resultados alcançados nas provas nacionais, em que as ginastas do SCM alcançam frequentemente pontuações equiparadas e superiores às das suas colegas do Caniçal.

Conflito de interesses

No centro das queixas está o painel de juízes que costuma avaliar as provas regionais. Os encarregados de educação apontam para alegadas falhas nas classificações que estarão a prejudicar e a desmotivar as atletas do SCM, além de que a manutenção de certas situações relacionadas com os elementos do júri levantam dúvidas, do ponto de vista ético e desportivo. “Gostaríamos de ver resolvidas questões que, embora não sendo legalmente incompatíveis, configuram um quadro de conflito de interesses, prejudicando atletas e até a credibilidade da modalidade. Queremos, acima de tudo, que as notas sejam atribuídas de forma isenta e que reflitam o mérito das atletas”, sublinharam os pais, esta semana, no final de mais um treino.

Dizem-se preocupados, não só pelos resultados que ficam aquém das expetativas, mas sobretudo pelo clima de desmotivação que “esta injustiça inexplicável” está a gerar entre as ginastas, crianças e jovens entre os 4 e os 20 anos, algumas delas com muitas horas, dedicação e palmarés investidos nesta disciplina gímnica. Desencanto que tem inclusive originado casos de desistência, atendendo também à falta de alternativas para a prática da modalidade na Região.

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Juiz e dirigente

Ao que o FN apurou, grande parte dos reparos recaem sobre a composição do painel de juízes que nos últimos tempos tem avaliado as provas de âmbito regional. Será maioritariamente constituído por elementos com ligações familiares ao clube adversário, a AGJC.

Há ainda quem estranhe o facto de o mesmo painel ser sistematicamente convocado, quando existem na Região outras pessoas com formação e habilitação para ajuizar sobre provas regionais, mas que deixaram de ser escolhidas para integrar o júri das competições.

A convocatória dos juízes e a organização dos eventos são atribuições da Associação de Ginástica da Madeira. A responsável pela direção técnica de ginástica aeróbica da AGIM, por quem passa a decisão destes processos, é a presidente da direção do clube do Caniçal e acumula as funções de juiz de provas.

Queixa à Federação

Ao FN, os subscritores da reclamação – a quase totalidade dos pais e encarregados de educação das 22 atletas do SCM – , lamentam que os problemas tenham perdurado no tempo, sem que as entidades competentes na Região tenham sido sensíveis aos seus alertas.

Daí terem decidido avançar agora com uma queixa diretamente à Federação de Ginástica de Portugal, a quem prometem não só apresentar provas daquilo que consideram ser um quadro de “deliberada e reiterada falta de isenção”, como solicitar uma auditoria independente e externa ao que se está a passar na modalidade ao nível regional. Vão ainda pedir a reavaliação das últimas provas.

Serão também referidos aspetos relacionados com o espaço onde se realizam os eventos. Os pais não entendem por que razão o estrado oficial, que é amovível, se mantém no pavilhão desportivo do Caniçal, não sendo dada a oportunidade de a modalidade se mostrar em outros pontos da Região. Problemas no sistema de som e na limpeza do recinto, que terão prejudicado as ginastas do SCM durante as competições, serão também referenciados.

Os pais prometem ainda fazer chegar à Federação vários vídeos que entendem fundamentar o teor das suas queixas.

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Clube quer resolver caso com AGIM

Contactado pelo FN, o presidente do Sporting Clube da Madeira não escondeu o desconforto pelo clima de crispação e suspeição gerado à volta da modalidade e no clube. Miguel Rodrigues conhece o que se está a passar e já solicitou à Associação de Ginástica da Madeira uma reunião, em que estarão também presentes elementos da secção de ginástica aeróbica da AGIM e as treinadoras do SCM.

“Nós respeitamos a vontade e a opinião dos pais”, reiterou. “Estamos aqui para defender os interesses do clube e das atletas, mas de forma correta, cumprindo as regras e seguindo os canais institucionais”.

Sem querer se pronunciar sobre o teor das reclamações, o dirigente garantiu total empenho e disponibilidade do SCM no acompanhamento deste caso. “Se há queixas dos pais e atletas, é de todo interesse averiguar o que se passa e resolver. Mas sempre através do diálogo”.

Apesar de procurar “deitar água na fervura”, Miguel Rodrigues deixou claro não ser do seu agrado a decisão tomada pelos pais de envolver a Federação no assunto. “É estar a abrir mais uma frente de batalha. Quem fica a perder é a modalidade com este clima de suspeição. É preferível tratar primeiro dos assuntos internamente, na Região, e seguir os canais próprios”.

O SCM conseguiu alcançar o sexto lugar no ranking nacional, em 2015, na categoria de individual feminino, escalão de iniciados da I Divisão, sendo a sua ginasta a única madeirense a competir com outros atletas para chegar às finais, onde alcançou a oitava posição. No campeonato nacional do ano passado, que se realizou na Madeira, o SCM foi também o único clube madeirense a conseguir chegar ao pódio, obtendo medalha de bronze na categoria de individual feminino, escalão de iniciados transição, da Divisão Base.

Refira-se que é do campeonato regional que sai o apuramento para o campeonato nacional, este ano a realizar no Continente. Em disputa, ao longo das provas regionais, estão não só os resultados desportivos, como também os apoios que são atribuídos pela Direção Regional de Juventude Desporto.

O próximo campeonato regional de ginástica aeróbica, a contar para a Taça da Madeira, está marcado para 17 de abril.