Liberdade de expressão

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  A reportagem de guerra aconteceu pela primeira vez na Guerra da Crimeia. Anos mais tarde, na Guerra Civil Americana, graças ao telégrafo, e aos correspondentes, faziam-se chegar aos leitores, em 24 horas, as novidades da Frente de Combate. Nas guerras do século XX houve mudanças assinaláveis. Nesse tempo ainda vigorava, na plenitude, o conceito de Estado-Nação. Ele, através de regras severas nos jornais e aos jornalistas, apelava, por um lado, à “salvação da Pátria” e, por outro, junto dos cidadãos, propagandeava a sua dogmática “Verdade Patriótica”

Diz-se que aqueles momentos em que mais se mente e controla a informação é no decurso de uma guerra. Senti-o na pele, em 1968, nas férias da Guiné. Os meus amigos ouviam-me como um fanfarrão. Eu falava-lhes de uma guerra que estava nos antípodas da verdade oficial da época. Calei-me, não falei mais da triste realidade. É difícil, mesmo aos amigos, desligá-los da propaganda com que os inoculam!

O séc. XX produziu o Homo sovieticus. O conceito abarca os habitantes da Rússia e restantes Rep. Socialistas. O Estado dominava-lhes as almas. Realidades como esta: “enforcar (sem falta, enforcar, para que o Povo veja) não menos de mil kulaks presos, que enriquecem…tirem-lhes todos os cereais…de tal modo que a 100 Kms em redor o povo veja e trema” (Lenine, 1918), que, tornadas públicas, foram devastadoras. Foi assim nos anos 90, os tempos da euforia e da instalação de Sua Alteza o Rei Consumo. Hoje, a desilusão instalou-se, a pobreza grassa naquilo que restou do saque que levou ao enriquecimento dos amigos de Putin. Actualmente cresce o interesse pela URSS e por Estaline. Quem melhor que os Portugueses para entenderem isto, depois de terem votado em Salazar como o maior Português de todos os tempos…Não tenham ideias, Salazar, com todos os seus defeitos, é um “anjo” comparado com o Czar Vermelho.

            Os reais problemas da Humanidade são outros, muito para além dos interesses que movimentam os Estados. O Homem e a sua relação com a Natureza a todos preocupa. Sua Alteza o Consumo, devidamente suportado no dinheiro – os celebrados mercados – criou-nos a ficção de que tudo era possível para alimentar o consumo desenfreado. O Planeta dá fortes sinais de cansaço e o Homem também. O Homo Sovieticus, o último a chegar às benesses do Consumo, já está cansado. O outro, há muito que se sente triturado pelos mercados.

            Dado que a História não acabou, ela aí está em todo o seu esplendor anunciando as guerras do séc. XXI. Os chefes políticos falam – como sempre fizeram – à emotividade dos cidadãos, potenciando as raízes histórico-culturais dos Povos. Interesses dos Impérios Russo e Otomano, fazem Turquia e Rússia não respeitarem a liberdade de expressão, na informação prestada aos seus cidadãos, por um lado, e, por outro, activam poderosas centrais de propaganda para passarem a sua “verdade”. A estes dois impérios juntam-se outros interesses que tornam incontrolável o vespeiro do Médio Oriente. Nas guerras, o HOMEM, e, o seu sofrimento, nada contam. Os chamados interesses de estado – limitando a informação e manipulando as emoções – impõem-se às pessoas. Vai sendo tempo de se colocar o SER HUMANO à frente de tudo isto. Os HOMENS, todos ELES, em todos os Estados, exercendo, ou não, a totalidade dos poderes de soberania, querem Paz, Saúde, Habitação, Trabalho e Educação.

            No séc XX criou-se a Sociedade das Nações, rebaptizada Organização das Nações Unidas. Estas Instituições supranacionais, pensava-se, garantiriam, futuramente, a PAZ. Teremos, hoje, Chefes Políticos capazes de se entenderem – garantindo Paz, Saúde, Habitação, Trabalho e Educação – antes de ocorrer mais destruição de vidas e bens? Será que, pelo contrário, imitando os seus antecessores e à posteriori, sobre milhões de mortos, imporão a vontade dos vencedores como em 1919 e 1946?


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