Há descontentamento no seio de alguns carreiros do Monte. Mas a desilusão não reside na falta de trabalho porque a procura do passeio nestes tradicionais carros é cada vez maior. Tudo se prende com a distribuição do “bolo” dos lucros que parece não chegar a todos por igual e à gestão dista “pouco transparente das contas por parte dos chefes”.
Segundo foi relatado ao FN, “não há muito controlo das receitas, não é emitida fatura aos clientes, não há máquina registadora” e há vozes que asseguram que “os carreiros faturam em média 300 mil euros mensais”.
Relatos feitos chegar a este jornal explicam o modus operandi nestes termos: “A distribuição da receita é feita da seguinte forma: passam um recibo de 750€ a cada carreiro e o resto é feito num envelope, dependendo dos valores obtidos no mês, podendo até receberem 2 mil euros, mas nunca abaixo de 1500 euros mensais”.
Quem percebe desta atividade explica ao FN que a atividade é gerida por um presidente e quatro chefes que não dão muitas explicações aos trabalhadores que por lá operam. No entanto, há carreiros que, apesar de descontentes, têm receio de dar a cara para não sofrerem retaliações, já que vivem desta atividade. Mas falam de “falta de transparência e controle nas contas” e lembram que, “os lucros deste fim do ano ultrapassaram os 500 mil euros. A média anual da receita é de 3 milhões e seiscentos mil euros, sem contabilizar o prémio anual”.
Em comparação a outras atividades empresariais, os empresários do Monte questionam: “É sabido que um simples café é obrigado a pagar 23% de IVA, mais IRS, Segurança Social… E os carreiros do Monte? Como fazem a faturação? Pagam os impostos?”

O FN esteve no Monte para apurar a versão dos carreiros, mas ninguém manifesta interesse em falar do assunto. Posteriormente, estabeleceu um contacto telefónico para o chefe de serviço que, perante as críticas, reagiu nestes termos: “É tudo um grande boato sem fundamento”.
Sem querer identificar-se, o chefe de serviço explicou que “os carreiros são pagos como qualquer outro trabalhador, têm recibos das remunerações que auferem e prestam os descontos como os demais trabalhadores”. Quando se pede para adiantar valores e formas de gestão das contas, o chefe de serviço disse não ter nada que explicar nem sequer justificar contas porque se tratam de “assuntos internos” da Associação Carreiros do Monte.

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