O martírio mensal dos nossos idosos aposentados

CTT 1Há coisas que impressionam e não nos deixam impávidos. Uma delas é ver dezenas de idosos, no início de cada mês, arrastados pela necessidade, madrugarem junto à porta dos correios para receberem as modestíssimas pensões de reforma, fruto do trabalho de uma vida inteira. A situação que a foto documenta reporta-se ao dia 5 deste mês, pouco depois das 08h00.

Se o cenário no exterior é tocante, no interior dos CTT, após a abertura de portas, o tempo de atendimento é sempre muito demorado: funcionários delicadíssimos mas muito poucos para responderem a este pico mensal de solicitações. Entretanto, os nossos idosos, debilitados, com esforço evidente para receber a pensãozinha que lhes assegura a sobrevivência apertada, lá se vão arrastando estoicamente na longa espera pela ajuda da segurança social, em troco de uma vida de trabalho.

É esta a realidade do nosso povo e dos nossos idosos reformados. De mão estendida à espera que o Estado não lhes vire as costas – depois de tanto corte e rótulos – apesar de terem lutado uma vida inteira por esta pensão que, ainda assim, não lhes assegura uma vida desafogada.

O FN não culpa ninguém nem tem sequer nem quer ter esse poder de julgar. Mas gostaria de ver os idosos aposentados mais bem tratados. Sem querer sobrepor-se a quem sabe disto mais do que nós, uma solução poderia passar pelo débito direto na conta desta população das respetivas reformas ou outra solução que os poupasse a este martírio mensal.