Ao fim de um interregno de dois anos, foi retomado o ritual de prosperidade em honra de Iemanjá, um dos Orixás femininos da religião Umbanda, pela TEMO – Tenda Espírita e Mensageiro de Oxalá.
A cerimónia, conduzida pelo Pai Nélio D’Oxalá, teve lugar na manhã do dia 31 de Dezembro, na Prainha, Caniçal, e contou com a participação do empresário Alan Borges e da esposa, entre outros fiéis seguidores.
Segundo nos explicou o Pai Nélio esta cerimónia, que está relacionada com a passagem de ano, pretende “fazer a limpeza da Coroa” ou seja “limpar toda a energia negativa que as pessoas têm e preparar a entrada no novo ano com prosperidade, equilíbrio e força, para advir energias positivas e para que o novo ano seja melhor do que o que passou”. Um ano que, explicou, vai ser regido por dois Orixás que foram evocados durante a cerimónia: Iemanjá e Oxal.
Nos terreiros fiéis às origens, este tipo e culto é prestado em locais fechados, mas nos mais recentes as cerimónias têm lugar a céu aberto, de preferência em contacto com o mar ou não fosse Iemanjá a rainha do mar, aquela cujos filhos são como peixes.
É certo que Portugal ainda não tem uma Cultura de Santo como a que existe no Brasil. Ainda assim, diz o Pai Nélio que “são cadavez mais aqueles que no final do ano vão ao mar pedir prosperidade e caminho, sendo também cada vez mais um hábito o uso de roupa branca nesta ocasião”.
Roupa, música – os chamados pontos cantados – e oferendas, neste caso flores, foram alguns dos pormenores que completaram a cerimónia da passada quinta-feira. E porquê as flores? O Pai Nélio explica que além de ser uma das oferendas com que normalmente se presenteiam os Orixás, as mesmas são biodegradáveis, não poluindo assim o ambiente, neste caso o mar.
Refira-se que a TEMO nasceu da Tenda Espírita Sete Luas, criada em 2007/8, mas cuja designação teve de ser alterada em virtude de já haver, no Brasil, um outro centro com a mesma designação, o que fazia com que não fosse possível, “termos e-mail, site, e outra situações que neste momento estão a ser tratadas em conjunto com o centro que já temos em Londres, no Brasil e futuramente com o espaço que vamos abrir também em Lisboa”.
Em relação à forma como os madeirenses olham, neste caso para a religião Umbanda, e sendo certo que o que é desconhecido leva a interpretações por vezes menos corretas, o Pai Nélio refere que “aquando da abertura do Centro houve preconceito, até ameaças, e uma série de situações que tiveram de ser resolvidas, porque as pessoas não sabem o que é a Umbanda e confundam-na muitas vezes com macumba, ou seja, com situações menos positivas”. Tudo isto tem a ver também com o facto “de virem para cá pessoas que se dizem Pais e Mães de Santo sem o serem, porque não têm a obrigações feitas e porque se dedicam a fazer trabalhos menos positivos e acima de tudo a fazer usurpações financeira às pessoas”. Esse é, acrescenta, “o grande problema da religião e é contra isso que nós lutamos e acima de tudo doutrinando e explicando às pessoas o que é a Umbanda, quais são os rituais e tentando fazê-los de uma forma mais fidedigna possível e o mais correta possível de acordo com o que dizem as origens e os fundamentos da Umbanda, a religião pé no chão.”
Neste momento, e para que a aproximação com a realidade se eleve para outro patamar, está a faltar um espaço adequado, algo que já está a ser tratado para dar lugar a uma nova etapa, que passa pela divulgação, com recurso também às novas tecnologias, para que voltem os 30 elementos que outrora estavam ligados ao centro e apareçam muitos mais.
Quanto ao empresário Alan Borges explica que “a Umbanda tem zelado por mim desde novo até aos dias de hoje… eu estive na Umbanda e saí e paguei um preço muito caro. Agora voltei e desempenho uma função muito importante de tocar para as entidades. Tenho aprendido a ter mais domínio próprio, a conhecer mais o Alan como pessoa, profissional… a conhecer o verdadeiro ser, dentro do nosso ser e isso traz-nos paz, amor e humildade”. É preciso estar bem espiritualmente, diz ainda o empresário, para que tudo o resto corra bem e haja harmonia em todas as áreas da vida. Aliás, é essa ajuda que a TEMO pretende e tem vindo a prestar a todos os que a procuram, dando um passo de cada vez, “fazendo um trabalho sério”, até porque as pessoas vivem “numa asfixia religiosa” e isso leva a algumas confusões. Por isso fica o conselho: “As pessoas, como dizem os madeirenses, não se devem deixar emprenhar pelos ouvidos, mas procurar conhecer e dar uma oportunidade ao que é novo”.
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