Saída de Portas: a perspectiva de Filipe Malheiro

filipe malheiro

Paulo Portas é um político matreiro, manhoso e que sabe gerir eficazmente o seu espaço, incluindo o mediático. Politicamente Passos esteve sempre à frente de Portas só porque o PSD é maior que o CDS. Na realidade Portas, em termos políticos, esteve sempre uns passos à frente de Passos, graças à sua expriência, aos ódios de estimação que foi alimentado um pouco por todo o lado e ao facto, repito, de ser matreiro e de ter uma conhecida facilidade de comunicação.
Acho que esta demissão foi pensada, preparada, discutida com familiares e próximos, foi repensada e esmiuçada ao pormenor. Não aconteceu por acaso. Os políticos vêm e vão normalmente. É como o movimento das marés, ora sobem, ora descem. O político não tem que ser elogiado quando entra, tal como não tem que ser elogiado quando sai ou se demite no momento das derrotas.
Portas percebeu o que espera o CDS, aliás deixou vários indicadores. Percebeu que os desafios que esperam PSD e CDS provavelmente serão mais complicados do que alguns imaginam, sabe que se começarem a abrir o baú dos segredos, patifarias e embustes da anterior govermação, as cosias vão dar para o torno. Antecipou-se. Um político inteligente e hábil como ele antecipa-se, não fica agarrado ao poder, não inventa tretas para ser recandidato quando vai apresentar se aos militantes com uma mão vazia e outra cheia de nada.
O que vai dizer Passos aos militantes? Dar-lhes uma versão diferente dos factos, ir por um caminho diferente do que Portas agora antecipou? Ou vai afirmar-se como um tachista que vive do poder e para o poder e que foi um mero peão de brega de interesses de grupos económicos e financeiros nacionais que em nome de teorias liberais da trampa o escolheram como porta-estandante de algo que o transcendeu.
O que é que Passos espera para seguir o mesmo caminho de Portas? Se tivesse inteliência e dignidade tê-lo-ia feito no momento em que o governo de Costa tomou posse. Não tendo… Sofre o PSD, ganha a ambição pessoal de Passos e a sua vaidade, a vaidade de ir por essa Europa fora beijar os sapatos dos seus repugnantes parceiros dde uma direita europeia caduca, patética e responsável por esta crise europeia. Passos fá-lo-á, submissamente, porque provavelmente sonha com um tacho qualquer que Mekel e outros da corja dela lhe ofereçam em reconhecimento pelo trabalho feito. Numa humilhação que não é novidade para ninguém. Ou será que Passos vai querer ficar sentado de sofá – quanto tempo? – para tentar vingar-se de Costa? A política agora faz-se de vinganças pessoais, de ajustes de contas?
Cada dia que Passos continuar no PSD, o partido vai sofrer maior desgaste. E com o CDS privado de Portas, será que alguém no CDS estará disposto a aturar o PSD de Passos? E se a nova liderança do CDS, de forma pragmática e pura estratégia política, tiver para com Costa uma outra atitude menos radicalizada do que aquela que Portas tinha?
Em suma, a demissão de Portas – em meu entender inevitável até pelo esgotamento do ainda líder do CDS que penalizava o partido desde a cena da demissão irrevogável – é um desafio a Passos, provavelmente encosta-o à parede e legitima quem no PSD está farto dos Passos, dos Montenegros, dos Marcos Costas, etc e entende que o partido deve sair de uma realidade adversa para procurar uma lufada de ar fresco, uma mudança.
O PSD desde 2011 nunca mais ganhou eleições e apenas o PSD-Madeira lhe salvou a face nas regionais deste ano. A vitória da PAF foi uma vitória de Pirro, pois além de não ter conseguido a maioria absoluta, eles perderam mais de 700 mil votos e 25 deputados.


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