
Rui Marote (texto e fotos)
Já passaram dez anos desde que a Madeira teve, pela última vez, um piloto natural da ilha. O último foi o Silvério, que trabalhou mais cinco anos antes de ir para a reforma.
Actualmente, o número de pilotos no Funchal cifra-se em quatro, incluindo o chefe. São todos naturais do continente.
Neste momento estão ao serviço três, incluindo o chefe, encontrando-se um de baixa.
O facto de os pilotos não serem naturais da Região levanta alguns problemas. A escala de serviços leva a que um piloto faça quinze dias de serviço seguidos, gozando, em seguida, de quinze dias de folga, nos quais se desloca ao continente. Fica então somente um de serviço, uma vez que o chefe também se desloca ao continente, ficando ausente da Região.
Só em casos especiais é solicitado a Lisboa um outro piloto.
Por vezes, o motivo da entrada de navios no porto do Funchal com atraso deve-se à falta de piloto, que tem de atracar um navio e depois passar para outro. Foi o que aconteceu recentemente, causando um atraso na saída do ferry ‘Lobo Marinho’.
Embora os pilotos estejam colocados na RAM e com casa para residir, as suas famílias residem no continente, pelo que estes profissionais estão com um pé cá e o outro lá. Esta é uma anomalia que só será colmatada quando existirem, novamente, pilotos de origem madeirense.
Ninguém quer utilizar o cais 8

Entretanto, o porto do Funchal ‘estacionou’ hoje três navios de cruzeiro de pequena dimensão. Há muito tempo que o cais sul não recebia três navios assim, enchendo por completo todo o comprimento do molhe da Pontinha.
Estes navios de cruzeiro, o Ocean Princess, o Maasdan e o Artania têm as dimensões ideais para utilizarem o cais 8… um deles poderia fazê-lo. Mas, claro está, não o fazem por razões que já são por demais conhecidas.
As consequências fazem com que apenas estes navios coloquem a Pontinha em ‘overbook’. Se viessem mais navios, teriam de ficar fundeados ao largo, ou os comandantes dos mesmos rapidamente por-se-iam em fuga para outro porto.
Com o cais norte em breve operacional, o porto ganhará lugar para mais um navio de porte considerável, tipo Aida…
No fim-de-ano, para o número de navios de cruzeiro que estão previstos, o porto não dá para as encomendas. A única solução será fundear ao largo e efectuar o transbordo de passageiros em baleeiras até terra. Resta aos passageiros, e aos madeirenses, que beneficiam com a visita dos turistas, rezar para que as condições sejam propícias a esta operação…
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