CDS-M: que futuro?

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Foi com José Manuel Rodrigues que o CDS M deixou de ser um pequeno Partido com 2 deputados e se transformou em líder da oposição, em 2011, com 9 deputados eleitos. Este facto, per si, constituirá um marco histórico e ficará sempre associado à sua liderança.

Eu e vários dos atuais quadros entrámos para o CDS M a seu convite. Conheci-o como um político hábil, experiente, bom parlamentar, conhecedor dos vários temas que dominam a agenda política e que nunca se furtou à luta político-partidária.

No último “combate” político, o eleitorado foi implacável com José Manuel Rodrigues e o CDS ficou sem o seu deputado na Assembleia da República. Não o apoiei (ele sabe-o)  na sua decisão de ser o cabeça de lista, embora  reconhecendo toda a sua legitimidade para assim decidir. Sabia, e era voz corrente, que já não reunia as melhores condições para o efeito e temia que não tivesse um bom resultado, foi o que aconteceu. No entanto, a sua decisão determinou o desfecho que conhecemos e culminou com a sua demissão. Aliás, reconheceu-o na noite eleitoral com sobriedade e humildade.

A Política, à semelhança de outras atividades da nossa vida coletiva, faz-se quase sempre sem gratidão e vive essencialmente de resultados.

Foram cerca de 20 anos de liderança que apesar do contexto político muito adverso em que o PSD M dominava toda a política na Região, José Manuel Rodrigues trouxe estabilidade e crescimento ao CDS M. Contudo, não podemos ignorar que as lideranças prolongadas cristalizam opções, impedem surgimento de novas ideias e propostas, geram práticas e vícios que são prejudiciais à expansão e modernização da organização.

Aqui chegados, é tempo de olhar o futuro e refletir que Partido queremos e quem reúne as melhores condições para o liderar.

Abre-se a oportunidade de um novo ciclo com base numa estratégia muito clara em torno de um projeto motivador que responda às novas realidades políticas e às necessidades da sociedade madeirense, com vista às Autárquicas de 2017 e às eleições regionais de 2019. O Partido e os seus militantes deverão olhar internamente, sem nunca esquecer aquilo que a sociedade espera de nós, pois é, para ela que trabalhamos e são os eleitores que se identificarão ou não com o projeto e com o rumo que o partido trilhará.

Exige-se serenidade e elevação no debate. Temos assistido nalguns casos, não a um debate de ideias, mas sim a ataques pessoais que proliferam nas redes sociais, muitas vezes com um laivo de saudosismo que não nos levarão a bom porto. Assisto por vezes incrédula ao silêncio e ao apadrinhamento de certas atitudes por parte de pessoas que já exerceram cargos de grande responsabilidade dentro do mesmo.

Não defendo uma rutura com o passado, mas uma outra atitude do Partido.

Se não, vejamos:

·         Queremos um líder que assegure os interesses pessoais instalados ou um líder que com o seu projeto leve o Partido a ter bons resultados nas eleições autárquicas e regionais?

·         Queremos ou não que o novo líder tenha uma postura coerente com o seu discurso e com aquilo que é a doutrina do Partido?

·         Queremos ou não uma maior transparência nas diferentes atividades do partido sejam elas financeiras ou outras?

·         Queremos ou não uma melhor organização para que as concelhias possam ter um maior apoio e desenvolver as suas atividades e os seus projetos?

·         Queremos ou não ter um líder solidário com a atividade e o desempenho do grupo parlamentar não só nas reuniões plenárias, mas também nas atividades e ações junto dos eleitores?

·         Queremos ou não um líder que premeie a competência de todos os que colaboram e trabalham na organização?

·         Queremos ou não um líder que oiça os órgãos do Partido antes de tomar as decisões?

·         Queremos ou não um líder que una os militantes?

·         Queremos ou não um líder que impulsione a Juventude Popular?

Estas são algumas das questões que deveremos equacionar no momento da nossa decisão.

No Congresso irão ser discutidas as Moções de Estratégia Global que definirão o rumo do Partido nos próximos 3 anos. De salientar que, nesse período, o CDS enfrentará as eleições autárquicas, pelo que, caberá a cada militante refletir qual das moções e qual dos candidatos trarão melhores resultados ao CDS Madeira.

A minha reflexão fi-la já há algum tempo. Para mim, sempre foi claro que o Rui Barreto seria o líder que se seguia.


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