Crónicas de visões anacrónicas (1)

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Estávamos no ano de 2004. Muitas eram as perspetivas na evolução da atividade cultural em especial a associada às artes plásticas pois era o momento em que estariam disponibilizadas todas as condições necessárias, inclusive infraestruturais, a uma dinâmica cultural sem precedentes e com o foco para uma programação internacional sugestível de atrair novos nichos de mercado turístico nesta que era e é uma das atividades que mais cresce no mundo e o PIB da nossa região dele mais depende.

A construção desta nova infraestrutura fora da centralidade da ilha tinha justificação quer na dinâmica implementada nos últimos cinco anos pela instituição Casa das Mudas, reconhecida por instituições nacionais e internacionais, quer pela forte relação com instituições de arte sediadas no continente europeu, americano e asiático onde floresciam projetos comuns.

Todo o trabalho que envolvia a desejada dinâmica cultural estava a ser desenvolvido por forma a atingir os objetivos pretendidos. Envolvidos estavam projetos de âmbito nacional e internacional não só no que respeita à programação da dita infraestrutura mas também a parcerias bilaterais com países dos CPLP nomeadamente o Brasil onde foram realizadas várias reuniões em Brasília no Ministério da Cultura que na altura era liderado pelo então Ministro Gilberto Gil e onde havia concordância com o Ministério da Cultura de Portugal liderado pelo Ministro Pedro Roseta, para a concretização de um acordo bilateral entre o Brasil e o novo Centro das Artes Casa das Mudas com o objetivo de reforçar uma dinâmica cultural pioneira na Madeira.
Nestas negociações salientava-se o facto de estarmos a falar da Casa das Mudas como um imóvel histórico o qual estava precisamente ligado às famílias de Gonçalves Zarco e Pedro Álvares Cabral, navegador e explorador português creditado como descobridor do Brasil. Inclusivamente este era o moto para surgir a criação de um novo prémio de artes plásticas entre os dois países e que seria dirigido única e exclusivamente a artistas de lá e de cá com a designação do referido descobridor.

Naturalmente que esta iniciativa dependia de decisões finais de quem nos (des)governava e foi precisamente neste momento, depois de muito trabalho e investimento pessoal realizado, que as tão ambiciosas perspetivas desabaram por terra, numa localidade onde o trabalho individual sério e consistente acaba por incomodar sectores do poder local e não só.


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