Lixeira descontrolada no Caniçal estraga ambiente entre Junta e autarquia de Machico

Ribeira do natal lixoO cenário é desolador e configura já um verdadeiro atentado ambiental e à saúde pública. Um terreno junto ao campo de futebol do Caniçal, no Caminho da Ribeira do Natal, encontra-se invadido por uma lixeira a céu aberto. São vários os resíduos que se amontoam de forma descontrolada ao ponto de terem ultrapassado os limites da vedação e ocuparem parte da via pública.

O FN registou este domingo o perigo que se acumula na zona, frequentada diariamente por centenas de pessoas, sobretudo crianças e jovens atletas que utilizam aquele recinto desportivo do Caniçal.

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Ao que tudo indica, o espaço passou a ser vazadouro ilegal de materiais de construção, mobiliário e equipamentos elétricos e eletrónicos. Eventualmente, passará a ser sucata a ver pelo estado de alguns veículos ali estacionados.

Ninguém consegue identificar responsáveis, mas é sabido que no último ano a situação se agravou, depois de as vedações terem sido vandalizadas, ao que tudo indica por munícipes, um comportamento que tem sido difícil de corrigir.

Sabe-se que os terrenos pertencem ao Governo Regional, mas vinham a ser utilizados pela Junta de Freguesia do Caniçal há vários anos para depósito de materiais. Neste momento, o espaço tem grande parte da vedação destruída e, por entre a vegetação, encontram-se lixo de todo o tipo e contentores.

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Os riscos ambientais e para a saúde pública são graves já que muitos destes equipamentos danificados e degradados contêm substâncias tóxicas (chumbo, cádmio, arsénio, mercúrio, entre outras) que, sem o devido tratamento, poderão contaminar os solos e lençóis freáticos. Isto sem falar no perigo de crianças e jovens, que frequentam a zona, poderem inadvertidamente manuseá-los.

O Funchal Notícias contactou esta tarde o presidente da Junta de Freguesia do Caniçal que se mostrou consternado com a situação já herdada da anterior vereação. Ademar Nunes garantiu que o problema, apesar de descontrolado, está ser acompanhado há mais de um ano, tendo encetado já conversações com a ARM-Águas e Resíduos da Madeira com vista à remoção do entulho. “Estamos a articular os nossos recursos com a disponibilidade da ARM no sentido de proceder à requalificação da zona o mais rapidamente possível”, afirmou, reconhecendo que no presente aquele espaço é terra de ninguém. “Quem gere? Ninguém. Está descontrolado”, admite.

O autarca confessou não ter meios técnicos nem financeiros para resolver um problema que, segundo diz, radica na falta de consciência e civismo ainda presente em algumas franjas da população. Sublinha que a Junta, com o orçamento limitado e os parcos recursos humanos disponíveis, pouco mais pode fazer do que alertar a população para a utilização dos serviços competentes. “Nem nos compete fiscalizar nem aplicar coimas”, adianta Ademar Nunes, aproveitando a deixa para responsabilizar a autarquia de Machico pela falta de apoio nesta matéria. “Os fiscais passam por ali frequentemente. Trata-se de um caminho municipal. Entendo que a iniciativa cabe à Câmara que nada tem feito para solucionar o problema. Se isto acontecesse em Machico já estava resolvido há muito tempo”.ribeira do natal lixo

Tentámos ouvir a posição da Câmara Municipal de Machico, mas não foi possível chegar à falar com Ricardo Franco, o presidente da autarquia.

As divergências entre a Junta e a Câmara parecem evidentes e estarão a atrasar uma solução que se afigura urgente e coordenada e, como tal, acima de eventuais disputas políticas, a bem da saúde pública.

Refira-se que o concelho de Machico, à semelhança de Câmara de Lobos, Porto Santo, Ribeira Brava e Santana, está desde o passado dia 1 de novembro coberto pelo serviço gratuito de recolha de equipamentos elétricos e resíduos verdes da ARM, bastando para tal os munícipes contactarem aquela entidade a fim de poderem descartar os seus equipamentos elétricos e desperdícios verdes de forma segura e responsável.