Nova marina atracada à burocracia

marina cais 8Perante ventos e temporais, não há burocracia que meta medo. Pelo menos, parece ser esse o entendimento do tripulante deste iate que, tendo sido expulso da nova marina do cais 8, deitou mãos ao leme e atracou calmamente no velhinho cais da cidade, onde só a APRAM detém jurisdição.

Segundo apurámos, o velejador, de nacionalidade estrangeira, talvez estreante por estas bandas, achou um desperdício não aproveitar tanto espaço ali só para ele, atracando num dos pontões da nova marina. Só que a satisfação foi de pouca dura e logo recebeu ordem para zarpar dali. Não teve de remar muito contra a maré porque a poucos metros encontrou outro porto seguro, o cais da cidade. E aí passou a noite nas calmas e, quem sabe, a custo zero.

Quem conhece o caso garante que foi por desconhecimento e para se abrigar das condições atmosféricas adversas que se têm feito sentir tanto em terra como no mar, pelo que não há de advir qualquer prejuízo ao navegador intrépido, atendendo tratar-se de uma situação de emergência.

A verdade é que o ocorrido vem chamar a atenção para os atrasos na entrada em funcionamento do pequeno porto existente no interior do chamado Cais 8, a nascente do cais da cidade, onde antes se encontrava o veleiro dos “The Beatles”.

Executada de propósito para albergar as empresas de atividades marítimo-turísticas, a nova marina continua dependente de pequenos arranjos e da conclusão de trâmites legais até poder receber as primeiras embarcações.

Sendo uma obra decorrente do plano de requalificação da cidade face ao 20 de fevereiro, está na responsabilidade da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, liderada por Sérgio Marques, que herdou as obras que estavam na extinta vice-presidência.

Praticamente pronta, só falta concretizar a sua transferência para a Secretaria Regional de Economia, Turismo e Cultura, que tem na sua tutela a Administração dos Portos da Madeira (APRAM), responsável pela gestão daquele tipo de espaço.

O processo de transferência de tutela está em curso e tudo indica, dizem os responsáveis, que estará concluído dentro em breve. A responsável pela APRAM anunciou ao FN que o processo está a decorrer e a sua concretização depende apenas da conclusão de pequenas obras e arranjos. Alexandra Mendonça não avançou datas quanto à mudança de “dono”, nem quis pronunciar-se sobre o modelo de gestão da nova marina – concessão ou administração pelos Portos – remetendo o assunto para Eduardo Jesus, o secretário regional da tutela.

Percebe-se o recato da responsável em relação a esta matéria, atendendo aos apetites que a nova estrutura parece estar a despertar. Segundo o FN apurou, aguarda-se com expetativa o eventual concurso público para concessão do espaço, havendo contudo quem entenda os sucessivos atrasos como uma forma de ganhar tempo a fim de alinhar potenciais candidatos de vulto.

Mais sério nesta questão é que, enquanto a burocracia empata, a estrutura mantém-se fechada sem render receitas.