FAMA será dissolvida

FAMA
Foto retirada do blogue ‘Fénix do Atlântico”.

A associação FAMA -Fórum Autonomia da Madeira, com sede num apartamento do ‘Edifício Oudinot’, na Rua Brigadeiro Oudinot, será dissolvida.

Segundo apurou o Funchal Notícias, os fins para os quais foi constituída a associação já não fazem sentido na actual conjuntura.
Leia-se, pois, o artigo 3.º da Associação sob a epígrafe Objecto: “A Fama tem como objecto principal promover a discussão de problemas (colóquios, conferências, debates, exposições, museu biblioteca) relacionados com a autonomia da RAM”.

Recorde-se que a FAMA nasceu a 14 de Agosto de 1997 quando Gabriel Drumond compareceu na sede do Club Sports Madeira, perante a notária, a fim de lavrar a constituição da associação.

Na altura, Gabriel Drumond levou a procuração de vários cidadãos -quase todos ligados ao ‘velho’ PSD- que fundaram e integraram a Associação.
A FAMA adoptou um nome parecido ao da Flama (Frente de Libertação da Madeira).
Durante os sucessivos governos de Alberto João Jardim, a FAMA emitiu comunicados e promoveu jantares anuais de reflexão nos quais o ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim participava.
Aliás, Jardim foi o ideólogo do FAMA, embora a presidência tenha sido entregue ao histórico Gabriel Drumond.
Ao longo de mais de 18 anos, a FAMA mandou recados para o continente e os seus jantares de reflexão eram convocados pela velha senha revolucionária “O João faz anos”.
Deambulou entre a tese independentista de alguns dos seus mentores e a refinada expressão que surgiu em 1999 pela boca de Jaime Ramos: “Autonomia total”.
Em 1997, a FAMA foi constituída “por tempo indeterminado” e a primeira sede foi na vila de São Vicente embora com “delegação permanente na cidade do Funchal, podendo ainda abrir delegações nas sedes dos concelhos da RAM e nas comunidades madeirenses espalhadas pelo mundo”.
Na entrevista que concedeu ao Funchal Notícias a 23 de Agosto último, Alberto João Jardim, sobre o FAMA que, em tempos, ameaçou transformar em partido político, adiantou que detectou um “misterioso esmorecimento” desde que começaram as guerras internas no PSD-M (2012). Ao ponto de ter confidenciado ter escrito ao presidente da FAMA, Gabriel Drummond, pedindo explicações.
“Não sou da direcção da FAMA. Tiveram a amabilidade de me fazer sócio n.º 1. Misteriosamente, desde que começaram as confusões internas dentro do PSD, portanto desde a fatídica data de 2012, o FAMA esmoreceu. E mesmo enquanto eu estive no Governo [até 20 de Abril de 2015], o FAMA tomou poucas posições, uma ou duas por ano, e fui eu que tive que dizer ‘preciso que o FAMA tome esta posição porque estamos aqui afogados pelo Estado central, nisto e naquilo’. Já não me lembro quais as questões e em que circunstâncias eram. Mas comecei a ver um certo desleixo naquilo. E então, desde que se começou a entrar aos ‘beijinhos e abraços com Lisboa’, a coisa tinha morrido definitivamente. Posso revelar-lhe em primeira-mão que, como membro do FAMA, escrevi uma carta ao presidente, Sr. Gabriel Drummond, com aviso de recepção, pedindo esclarecimentos sobre se o FAMA existe ou não existe e qual vai ser o futuro. Mas eu não mando no FAMA”, disse Jardim.
A 2 Abril de 2014, o jornalista Luís Calisto lembrou, no seu blogue ‘Fénix do Atlântico’ o que poderia acontecer à FAMA em caso de dissolução:
– Artigo 39.º (dissolução): quando houver “absoluta carência de recursos para prosseguir os fins estatutários”.
– Artigo 40.º (liquidação) “A liquidação e partilha dos bens da Fama, uma vez dissolvida, serão feitas nos termos da lei geral”.