UMa cancela pós-graduação em Design à última hora, para desapontamento de alguns

Universidade da Madeira

A Universidade da Madeira (UMa), cancelou a pós-graduação em ‘Design dos Espaços’, cuja realização estava prevista sob orientação da docente Susana Gonzaga. O cancelamento terá sido realizado de forma abrupta, conforme informação que fizeram chegar ao Funchal Notícias, desagradando aos alunos inscritos na mesma. Segundo nos disseram, a UMa optou por não realizar a pós-graduação apenas dois dias antes da data prevista para o seu início.

A docente em questão não quis comentar o caso, remetendo-nos para o gabinete do reitor, José Carmo.

Este não nos respondeu à pergunta sobre se a pós-graduação fora cancelada apenas dois dias antes da data prevista para começar, mas adiantou que abordou a questão da suspensão da pós-graduação na sua intervenção na sessão solene de abertura do ano lectivo: a pós-graduação em causa acabou por não se realizar “por ter ficado longe do número mínimo de inscrições estabelecidas”.

De acordo com o reitor, de acordo com o edital, o número mínimo de vagas era doze, e o número dos candidatos cifrou-se em apenas seis.

“Abriu-se uma segunda fase de candidaturas, para tentarmos ter mais candidatos. Após a segunda fase, o número manteve-se em seis. Após ponderação, considerou-se que não se justificava abrir uma terceira fase, e que não havia condições para dar início à pós-graduação”, explica José Carmo.

“Mas isso”, assegura, “não significa que deixemos de estar interessados em oferecer formação pós-graduada na área”.

Na realidade, acrescenta, a UMa aprovou em Comissão Académica a submissão à acreditação pela A3ES, para se iniciar em 2016/17, de um mestrado em ‘Design dos Espaços’.

Apesar desta pós-graduação ter tido pouca procura, “estamos esperançados que se o mestrado for acreditado, poderá ter sucesso na sua procura, não só por se tratar já de um curso conferente de grau, mas também porque, ao contrário do que se passa com as pós-graduações, os alunos dos mestrados podem-se candidatar a bolsas da Acção Social”, disse ainda o reitor, José Carmo.

Algumas fontes académicas consideraram, porém, ao Funchal Notícias que esta decisão de não realizar a pós-graduação foi uma opção do reitor, pois, afiançaram-nos, em anos anteriores realizaram-se cursos similares com número reduzido, mas José Carmo, questionado sobre este assunto, disse julgar que pós-graduações não se terão realizado, mas mestrados, isto é, 2º ciclos de estudos, é natural que sim, que já tenha havido mestrados a funcionar com um número reduzido de candidatos.

“É preciso ter em atenção que os mestrados conferem grau e que é previsível que contem, diretamente ou indiretamente, para o financiamento da Universidade por parte do Orçamento de Estado. No modelo de financiamento antigo tal acontecia com os mestrados que eram considerados necessários para o exercício de uma profissão (nomeadamente, engenharias, formação de docentes e psicologia). No modelo de financiamento preparado pelo atual Secretário de Estado do Ensino Superior (e que poderá, ou não, vir a ser aplicado), todos os cursos conferentes de grau contam para a divisão do Orçamento de Estado do Ensino Superior pelas diferentes instituições (mas as pós-graduações continuam a não contar)”, esclarece o responsável máximo da Universidade da Madeira.

“Assim, o retorno financeiro dos mestrados não se limita ao montante recebido a título de propinas”.

“A abertura de uma edição de um mestrado entra ainda em linha de conta com o serviço letivo a cargo dos docentes na área, isto é, a disponibilidade docente. A situação é analisada caso a caso, e decidida em conformidade”, conclui.