Basta uma chuvinha e já há danos nas estradas

Rui Marote (texto e fotos)

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A Madeira é uma ilha no meio do Atlântico, que num dia consegue ter as quatro estações do ano. É isto que a faz diferente de outros locais, e que constitui parte do seu charme.

Porém, também tem os seus senãos.

A semana começou com chuva miudinha, céu encoberto, com nuvens que ameaçavam chuva, contrastando com as tardes solarengas e a sempre presente humidade que nos é característica…

Durante a noite, algumas chuvadas faziam amanhecer os automóveis sarapintados com a poeira que nos chega trazida pelos ventos das areias do Sahara.

Entretanto, surgiram os avisos amarelos e a precipitação anunciada alcançou o seu pico, anteontem, entre as 14h15 e as 16 horas. Foi o suficiente para causar alguns estragos em estradas.

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No Funchal, os mesmos eram visíveis na estrada de acesso à Universidade, junto às instalações da Peugeot, o ex-armazém do Sá.

O caudal das águas pluviais arrancou algumas sarjetas e levantou o alcatrão, originando alguns buracos na via.

As ribeiras correram com um caudal normal para estas chuvadas. Acontece que as sarjetas e as adufas transportaram lixos, pedras e outro matagal, fazendo tampão em zonas planas. Com a força do caudal de água que escorria pelas ruas, as tampas soltaram-se e até arrancaram pedaços ao seu redor.

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Tudo isto traduz falta de limpeza da urbe, que deveria ter sido feita em pleno Verão. A Câmara Municipal do Funchal não tem plano, nem nunca teve, para estas tarefas. Só se lembram de Santa Bárbara quando dá trovões. Conclusão: a água tem de correr livremente, sem obstáculos, e agora estão à vista os danos.

Antigamente, as câmaras e os governos tinham cantoneiros, profissão que foi extinta, sendo tudo entregue a Deus Nosso Senhor… As ruas é que pagam.

Mas, já agora a propósito, recordemos que a Lei de Meios, destinada a suprir os danos causados pelos temporais do 20 de Fevereiro de 2010, contemplava verbas específicas para obras necessárias.

Hoje, lamentavelmente, Governo e Câmara do Funchal estão de costas voltadas. É ver os muros das ribeiras de João Gomes e Santa Luzia, que continuam por ser feitos, dando um aspecto horroroso a quem nos visita anualmente e vê as nossas ribeiras, outrora um cartaz turístico, transformadas num outro ‘cartaz’, digno de terceiro mundo.

Urge acabar com este braço de ferro entre autarquia e governo. Para bem da beleza da cidade.