Artista denuncia uso abusivo de obra pelo Mudas.Museu de Arte Contemporânea

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Em fundo, a obra de Daniel Blaufuks

Ainda nem começou e já está a gerar polémica. O Mudas.Museu de Arte Contemporânea, inaugurado a semana passada e instalado no anterior Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, foi já motivo de discussão nas redes sociais, mas não por um bom motivo.

O artista Daniel Blaufuks denunciou na sua página do facebook: “A casa das mudas utilizou abusivamente uma fotografia minha na fachada e cartazes. Aguardo explicações porque não me contactaram ou pediram autorização”.

Indignado, prossegue: “O facto de possuírem uma obra não lhes dá o direito de reprodução, direitos de autor nem direitos de imagem (das pessoas fotografadas). Para além disso, a obra de arte é reproduzida noutra escala, sem controle de qualidade e serve de pano de fundo para políticos e pessoas da “cultura” fazerem discursos”, diz,referindo-se ao cenário da ‘inauguração’ do novo Museu na Calheta, que alberga a colecção de arte contemporânea que estava na Fortaleza de São Tiago, no Funchal.

“Meus amigos”, sentenciou Daniel Blaufuks, “cultura é também educação, não é ignorarem os artistas para fazerem as vossas obras públicas de auto-elogio, para as tv’s e para o turismo”.

Entretanto, e posteriormente, Blaufuks postou na sua página no facebook qiue tinha sido contactado (presumivelmente por responsáveis do Museu ou da Direcção Regional de Cultura): “Acabaram de ligar a pedir desculpa e vamos entrar em negociações”.

Recorde-se que também o arquitecto Paulo David, carinhosamente chamado “meu amigo” pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, no acto inaugural do Museu, deixou transparecer, na oportunidade, algum desconforto ao Funchal Notícias pelo facto de não ter sido convidado a participar no grupo que preparou esta nova utilização do Centro das Artes Casa das Mudas, bem como alguma estranheza pelo desconhecimento da programação do mesmo – ou seja, se se limitará a albergar uma colecção estática de arte contemporânea, ou se terá alguma rotatividade e dinâmica de exposições temporárias.

Lisboeta, Daniel Blaufuks é neto de judeus ashkenazi polacos e alemães que vieram viver para Portugal no final dos anos 30. Mudou-se para a Alemanha em 1976, só regressando em 1983 a Portugal. Trabalhou vários anos na área das importações, o seu emprego regular. Alimentou o sonho de ser escritor, mas foi como fotógrafo que se notabilizou. Iniciou carreira como freelancer na revista de música Blitz, e passou depois pelo jornal ‘O Independente’ e pela ‘Marie Claire’, entre outros. Venceu em 1989 o Prémio Aip/Kodak e esteve, em 1996, entre os oito finalistas do European Photography Award.

Em 1991 Daniel Blaufuks publicou, com o famoso escritor Paul Bowles, My Tangier, e em 1994 The London Diaries, seguido de Ein Tag in Mostar (1995) e de Uma Viagem a S. Petersburgo (1998). Viveu em Inglaterra, nos Estados Unidos e viajou pela Europa, Índia, Rússia, África e América do Sul.

Para além de produzir vários exposições de artes visuais, Daniel Blaufuks realizou vários filmes e vídeos, entre os quais Life is not a picnic (1998, um filme sem história), Black and White (2000, a história de uma rapariga que se torna cega de cores), Under Strange Skies (2002, um documentário sobre refugiados judeus em Lisboa durante e depois da II Guerra Mundial), Reversed Landscapes (2002, sobre arquitectura portuguesa), e Slightly Smaller than Indiana (2006, um documentário sobre o Portugal dos nossos dias).

Conforme refere a Wikipedia, os nomes das personagens do livro Matteo perdeu o emprego, de Gonçalo M. Tavares, foram retirados de um trabalho de Blaufuks.