Voltando a eleger maioritariamente o Syriza nas recentes eleições da Grécia, foi notável e estimulante o discernimento, a serenidade, e a determinação com que o povo grego respondeu á despudorada e perversa campanha de chantagem política e financeira que a direita neoliberal da Europa lançou sobre o seu País e as suas gentes.
Em Portugal estamos à beira de eleições legislativas, e é também o momento certo para que o povo português ajuste contas e corra com este governo e com esta política que tantos danos têm causado aos portugueses e ao nosso País.
Na verdade, nestes últimos anos, esse bando de malfeitores, com a promessa de lançar o crescimento económico que afinal nunca surgiu, e de diminuir a dívida pública que afinal tem aumentado constantemente e já atinge mais de 130% do PIB, com as suas imutáveis medidas de austeridade sobre austeridade provocaram falências e insolvências em série, arremessaram centenas de milhares de portugueses para o desemprego, empobreceram o País onde cerca de um quarto da população e uma em cada três crianças vegetam em situação de descalça pobreza, arrasaram a classe média que sofre dificuldades de toda a ordem, forçaram a emigração maciça sobretudo dos nossos melhores jovens, decapitaram a Saúde retirando volumosos meios e deteriorando a qualidade dos serviços de forma a abrir caminho aos privados, e do mesmo modo flagelaram a qualidade do Ensino, desviando 153 milhões de euros para as escolas privadas, enquanto reduziram as verbas destinadas às escolas públicas.
A este autêntico descalabro, juntaram o corte de salários, pensões, reformas, e um intolerável aumento dos impostos, ao mesmo tempo que prolifera o compadrio e a corrupção, perante um poder judicial que além de timorato e conservador, mostra-se incapaz de enfrentar os políticos enquanto estão no poder, como se viu no caso Sócrates, a que se acumula a falta de meios suficientes para cumprir cabalmente a sua missão.
Acresce que Portugal está bloqueado por uma monstruosa dívida pública que não para de crescer, gastando anualmente mais de oito mil milhões de euros com o serviço dessa dívida, ou seja mais do que o que despende com a Saúde, enquanto nestes últimos anos a tacha de crescimento económico tem sido negativa devido à carência de meios financeiros para investir nos sectores produtivos da economia.
Ora, por um lado sabemos que não é possível reduzir essa dívida sem que se verifique um significativo crescimento económico, mas por outro lado, a possibilidade de crescimento da economia está asfixiada em consequência do endividamento crescente.
Face a estas contradições, para que se realize o desenvolvimento e crescimento de Portugal é fundamental libertar fundos para esse efeito através da restruturação da dívida, ou seja negociar um satisfatório período de carência, obter a redução substancial das taxas de juro o que é possível, pois a Alemanha paga taxas de empréstimo pouco além da taxa zero, e alcançar ainda o alargamento dos prazos de pagamento, facto que muitos outros países já conseguiram. Acresce que para certos casos específicos também poderíamos conseguir a redução do montante em divida, como por exemplo aconteceu no pós 2ª guerra mundial com a Alemanha, que obteve um amplo perdão da dívida, para recuperar a sua economia sobretudo à custa da Grécia que tinha ficado devastada.
Só que os partidos ditos do arco da governação, ou seja o PS, o PSD e o CDS, fogem como o diabo da cruz ao ouvir falar em reestruturação, mesmo sabendo que sem isso não é possível obter qualquer modelo sustentado que ponha fim à austeridade compulsiva e consiga relançar a economia e o crescimento do emprego.
E embora também saibam que neste sistema a dívida é impagável, escondem-se invocando o «desastre» da tentativa do Syriza na Grécia, afirmando que não é possível tornear o Tratado Orçamental, e que um País pobre e isolado não tem condições para sozinho embarcar em aventuras desse tipo, que seriam retaliadas pela ingerência e chantagem das instituições europeias, do FMI, e do fascistoide Schauble e quejandos, completamente enfeudados aos interesses do grande capital financeiro e destilando arrogância e ódio contra os mais elementares direitos dos povos.
Quanto a nós estamos convencidos que a mudança é necessária e possível e que não temos de aturar o empobrecimento e a austeridade eterna, e também estamos de acordo com as proposta da CDU e do PCP de reivindicar e insistir em criar apoios e mudanças contra a política neoliberal vigente, lutando pela reestruturação da dívida e por um novo modelo que aposte no desenvolvimento, e no bem estar social, até porque o processo grego abalou uma Europa mergulhada na lama das suas contradições, a qual após numerosos protestos populares e democráticos ficou desacreditada em grande parte do Mundo, ao ficar bem patente a mentira construída durante anos de que a União Europeia era sinónimo de «coesão e solidariedade».
Aproveitemos, pois, as eleições de 4 de Outubro para derrotar a política de direita e criar condições para construir um Portugal verdadeiramente democrático, patriótico, progressista e de esquerda, capaz de reconquistar os valores e as conquistas de Abril
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