“Nós Cidadãos” na corrida eleitoral para diminuir a abstenção e conquistar votos social-democratas

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Filipa Fernandes, de 43 anos, encabeça a lista pela Madeira. Fotos Facebook Filipa Fernandes.

O partido ‘Nós Cidadãos” entra pela primeira vez numa corrida eleitoral. É uma das três forças políticas novas entre as 16 que se candidatam pelo círculo eleitoral da Madeira.

Em entrevista ao Funchal Notícias, a cabeça de lista pelo Círculo Eleitoral da Madeira, Filipa Fernandes, profissional do turismo, falou da necessidade de acabar com a promiscuidade entre política e negócios; para lutar contra a abstenção; defender o sistema regional de saúde; propor medidas de diminuição do desemprego;

Apresenta-se como “um partido social-democrata nos termos clássicos” e tem como n.º 2 da lista o enfermeiro que foi vereadora na Câmara do Funchal, Edgar Silva.

O ‘Nós Cidadãos” está na corrida eleitoral para obter  “um resultado agradável” e para cativar a sociedade civil que “está cansada de governos e partidos que acumularam défices”. A aposta passa também pelas redes sociais.

Funchal Notícias: Com que objetivo o ‘Nós Cidadãos’ concorre pelo Círculo da Madeira?

Filipa Fernandes: O Nós, Cidadãos! vê as eleições de 4 de outubro próximo como o princípio de um projeto e simultaneamente um desafio, e isto porque Portugal e a RAM atravessam atualmente uma crise de consequências ainda imprevisíveis, e as causas são múltiplas. Por exemplo, bastaria aqui apenas nomear uma: o sistema de interesses instalados – de que alguns beneficiaram e ainda usufruem – e que não serve o cidadão honesto que estuda e trabalha diariamente para preparar um futuro digno e melhor, e assim compreendemos como chegámos até aqui.

Por outras palavras, a promiscuidade entre política e negócios divulgada pelos media dos últimos anos, isto é, os escândalos do BES/GES, do BPN, das PPP’s e outros, são o resultado de uma ausência de estratégia nacional por parte de sucessivos governos, mas também de um desinteresse crescente da governação da “coisa pública” no que respeita aos cidadãos! Ora, é justamente contra isto que surgimos enquanto partido no panorama político regional e nacional.

O Nós, Cidadãos! irá nestas eleições trabalhar para que a participação dos cidadãos aumente e diminua a abstenção (esse é talvez o nosso principal objetivo), e, obviamente, procuraremos ajudar o partido (a nível nacional) a constituir um grupo parlamentar na Assembleia da República, se possível também com a presença de candidatos pelo círculo eleitoral da Madeira. É importante todos retermos que a taxa de abstenção nas últimas eleições regionais, na RAM, foi de 50,3%, e nas legislativas de 2011, foi quase de 42% a nível nacional. Ora, Nós, Cidadãos! não acreditamos que estes números sejam o reflexo do que muitos chamam “uma forma de participação passiva” em democracia, mas antes a recusa ou descrédito em participar, pois vários fatores têm contribuído negativamente para a participação dos cidadãos na política. É, como disse anteriormente, especialmente contra isto que trabalharemos até ao dia 4 de outubro!

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“Sem “equívocos”, polémicas e nem pedidos de licença para utilização de figurantes, o Nós, Cidadãos! – Madeira apresenta ao grande público o primeiro cartaz eleitoral da sua cabeça de lista! Sim, somos mesmo Nós, Cidadãos!”, escreveu Filipa Fernandes no Facebook.

FN: Quais são as cinco principais medidas que, em nome da Madeira, merecem ser defendidas na Assembleia da República?

F.F.: O Nós, Cidadãos! (NC) é um partido social-democrata nos termos clássicos e, ao contrário de outros partidos políticos do passado e presente que se apresentam a eleições sem programa eleitoral, o Nós, Cidadãos! orgulha-se de ter elaborado um de forma participativa com todos aqueles que desejaram colaborar e que, certamente, para quem o ler, se identificará com muitas das propostas aí expressas.

Em nosso entender, seriam bem mais do que 5 as medidas que a Madeira e Porto Santo necessitariam de implementar – e defendidas por Nós, Cidadãos! na Assembleia da República – para que a recuperação económica, financeira e social da região fosse percetível aos olhos do cidadãos comum, mas destacarei, então, apenas 5:

1.ª o Nós, Cidadãos! apoiará e promoverá, em nome do combate ao sobre-endividamento das famílias madeirenses e portosantenses, legislação de insolvência e de exoneração de passivo. Por outras palavras, muitos casos de sobre-endividamento familiar não possuem outra solução senão a de declaração de insolvência e de exoneração do passivo, assim como, a reavaliação da situação dos fiadores, muitas vezes arrastados também para a situação de insolvência e, na RAM, estas situações são já em número suficientemente preocupante.

2.ª como forma de combatermos realmente o desemprego – e sobretudo o de longa duração entre a nossa população – e de termos um novo paradigma na Segurança Social, o Nós, Cidadãos! defenderá, também para a RAM, a criação de um novo e moderno sistema de reciclagem profissional, com formação “personalizada” e orientada para as necessidades das entidades empregadoras, a realizar no próprio local de trabalho e incluída no período experimental de um contrato de trabalho.

3.ª num sector estratégico para a RAM como é o turismo, apoiaremos a implementação, no curto prazo, da taxa média de IVA na restauração, a compensar pela imposição de uma taxa agravada sobre bens não essenciais importados, sobretudo sobre aqueles em que a produção nacional/regional não pode competir por falta de tecnologia adequada.

4.ª apoiaremos e apostaremos, também, de forma integrada na exploração ecologicamente sustentada de todas as nossas riquezas marítimas, em parceria com os Centros de Investigação das Universidades Públicas, como forma a defendermos os nossos interesses estratégicos não só em Lisboa mas no seio da própria União Europeia.

5.ª por último, e porque se trata de uma área sensível, iniciaremos um levantamento regional das reais necessidades presentes e futuras em termos de recursos humanos na Saúde e utilização das novas competências na RAM, em colaboração com as associações profissionais representativas do setor, para estabelecermos um rigoroso plano de resposta para o médio e longo prazo, desde a fase da formação dos profissionais (académica e estagiária) até à sua aposentação. Em suma, defenderemos o Serviço Regional de Saúde como uma das funções essenciais de um estado forte ao serviço dos cidadãos.

Filipa fernandes3F.N.: Quem são os seis candidatos efectivos do ‘Nós Cidadãos’?

F.F.: O Nós, Cidadãos!-Madeira, sendo um partido político que se enquadra ideologicamente na social-democracia, procurou, na RAM, mas também nos 22 círculos eleitorais a que concorre, constituir listas de candidatos que abarcassem cidadãos – militantes, simpatizantes ou até independentes – de diversas áreas profissionais e que fossem uma amostra respeitável e reveladora do que é a sociedade civil regional/nacional. Assim, a nossa cabeça de lista é uma mulher, com atividade na área do Turismo – eu – Ana Filipa Silva Fernandes Castro, com 43 anos; o segundo elemento é alguém da área da saúde, enfermeiro, com 54 anos, de nome José Edgar Marques Silva; já o terceiro elemento da lista é também bastante conhecido na sua atividade profissional, é Bombeiro, tem 49 anos e o seu nome é Filipe de Jesus Borges Tavares; o número quatro da nossa lista é uma mulher, economista, com 45 anos, e chama-se Ana Lúcia Gonçalves Perestrelo; o quinto é o mais jovem elemento – e desde o início sentimos que tínhamos de dar destaque à juventude e às boas ideias dos nossos jovens – chama-se Leonardo Ismael Silva Calçada, um estudante e também trabalhador, com 22 anos; e a fechar a nossa lista, está um professor, com 39 anos, de nome Miguel Alexandre Palma Costa.

Como disse, é uma lista de candidatos bastante heterogénea e que acredito ser uma boa representação da sociedade civil da RAM.

FN.:  É a primeira vez que o eleitorado madeirense vai confrontar-se com a vossa sigla no boletim de voto. Como acha que reagirá?

 F.F.: A sigla do Nós, Cidadãos! (NC) é de facto uma novidade para o eleitorado madeirense mas também para todo o eleitorado nacional. No entanto, pensamos que o cidadão, até ao dia das eleições, terá ainda tempo de se familiarizar com as nossas cores, imagem(s) – esteticamente bastante apelativa(s) e criativa(s) – slogans, ideias e propostas presentes no nosso programa eleitoral.

Sabemos que somos a “novidade” nestas eleições do dia 4 de outubro, mas, nas redes sociais e na internet, estamos ativos há já algum tempo e temos um público/audiência já bastante considerável: mais de 270 páginas no facebook, mais de 70 000 gostos, e um total de mais de 3 milhões de visualizações. Agora o que nos falta é ir para as ruas e praças do país e da RAM e contactar diretamente com o cidadão e lançar o debate e a mensagem de um novo partido que quer mais participação e responsabilidade de todos os cidadãos! Sim, a sociedade civil está hoje bem diferente, está cansada de governos e partidos que acumularam défices… e Nós, Cidadãos! não queremos mais estes défices. É preciso reerguer e resgatar Portugal, e Nós sabemos como fazê-lo e somos a verdadeira alternativa nestas eleições!

Filipa Fernandes4F.N.: Quanto vai gastar o Nós Cidadãos-Madeira nesta campanha?

F.F.: Como é percetível, o Nós, Cidadãos!, como novo partido que é, não tem, não pode e não quer cair em imprudências de “mega campanhas” eleitorais onde são despendidos dezenas ou centenas de milhares de euros… esse não é de todo o nosso rumo!.

Desta forma, a nossa campanha eleitoral irá dispor de um orçamento muito humilde/modesto, mas que nos possibilite chegar aos eleitores e nossos potenciais votantes na RAM, sobretudo que nos permita mostrar aos madeirenses e portosantenes de que é viável uma mudança de rumo da governação em Lisboa para que Portugal e a RAM possam ter futuro!

Como também já referi anteriormente, apostaremos muito nas redes sociais, pois somos um “case study das redes sociais políticas”, e nesse canal de comunicação, procuraremos incentivar a votar quem à muito desistiu de o fazer. A abstenção é o nosso grande adversário político!

F.N.: Para ser eleito são precisos 14 a 15 mil votos. Com 16 forças políticas a concorrer que esperanças tem o Nós Cidadãos?

F.F.: A palavra “esperança” na nossa língua tem múltiplos significados e, em relação a cenários futuros, sobretudo em política, apetece dizer que «a esperança abre horizontes infinitos e possibilidades imprevistas!».

É verdade, o futuro é para o Nós, Cidadãos! algo absolutamente em aberto, e será construído pelas mãos daqueles que todos os dias trabalham para que o partido cresça e que sabem esperar, pois as pessoas reconhecerão que este projeto de cidadania ativa tem valor e defende os reais interesses dos cidadãos, isto é, o BEM COMUM!.

Assim, e mesmo que a nossa esperança num resultado “agradável” – que seria, como disse anteriormente, diminuir a abstenção e procurar ajudar o partido, a nível nacional, a constituir um grupo parlamentar na Assembleia da República, se possível, com a presença de candidatos pelo círculo eleitoral da Madeira – saia inviabilizada, ainda neste hipotético quadro, a nossa confiança será mantida pois o Nós, Cidadãos!, num tempo muito escasso e contra forças que não desejavam a sua formação, já deu provas do que é capaz de fazer pelos portugueses e por Portugal. As nossas propostas estão escritas e acessíveis a todos… agora é só dá-las a conhecer ao cidadão!

F.N: O enfermeiro Edgar Silva foi vereador na CMF indicado pelo PTP e agora está no vosso projecto. É bom sinal?

F.F.: É verdade, o enfermeiro Edgar Silva é um atual elemento do Nós, Cidadãos!, que no passado esteve ligado a outra força política regional e ocupou um cargo de vereação na Câmara Municipal do Funchal. Tal facto é para nós um “não assunto”, pois consideramos que o valor da liberdade pessoal e de identificação das pessoas com projetos, ideias, crenças, movimentos e mesmo partidos políticos é algo que diz respeito exclusivamente à pessoa… como seria de esperar!

O Nós, Cidadãos! é um partido da cidadania e, como tal, preza muito valores como os da tolerância, independência, liberdade e dignidade da pessoa humana. Desta forma, nunca interferimos nem interferiríamos, fazendo juízos de valor sobre decisões pessoais dos nossos atuais, passados ou futuros simpatizantes, militantes ou aderentes… isso são sempre decisões pessoais. Mais, o Nós, Cidadãos! – Madeira considera que o passado ensina-nos a todos, ou seja, é preciso aprendermos com ele, mas o importante é preparar e agir sobre o futuro. É esse o nosso horizonte! É para ele que canalizamos as nossas forças! Quem fica preso ao passado, não tem futuro!

F.N.: O Nós Cidadãos terá estrutura regional (comissão política, conselho regional, concelhias, etc.) ou ficar-se-á por estas eleições?

F.F.: De forma sintética, O Nós, Cidadãos! – Madeira terá futuro, isto é, terá uma estrutura regional, e tal facto já está previsto nos Estatutos do Nós, Cidadãos! na versão depositada no Tribunal Constitucional e em documentos internos ao/do partido que definem e regulam a organização, estrutura e funcionamento dos órgãos regionais, distritais, municipais e locais do Nós, Cidadãos! continental e insular. Desta forma, podemos adiantar que no momento presente – e em simultâneo – estamos a trabalhar e a preparar as eleições de 4 de outubro próximo, mas também a arquitetar e fortalecer uma estrutura regional que dará seguimento ao que já foi feito independentemente dos resultados obtidos na noite das eleições legislativas… até porque como partido jovem que somos, temos nos jovens – que infelizmente estão ainda muito alheados da política – um espaço de trabalho e de crescimento deveras aliciante para executar. Portanto, o futuro do Nós, Cidadãos!-Madeira está a ser construído pelas nossas decisões diárias do presente, e estamos seguros que assim como a Madeira e Portugal têm futuro, também o Nós, Cidadãos! – Madeira terá!