“Não podemos ter em São Bento deputados frouxos, sem experiência, que digam ámen a tudo”

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José Manuel Rodrigues: “Ajudei a construir um partido com bons quadros”.

O CDS/PP Madeira entrega hoje, dia 12 de Agosto, pelas 09h30, no Tribunal Judicial do Funchal a lista de candidatos às Eleições Legislativas de 4 de Outubro de 2015.

No círculo eleitoral da Madeira é o primeiro partido a proceder à entrega formal da lista.
Ao contrário do que sucede no Continente, na Região, CDS e PSD concorrem com listas separadas.
Em entrevista ao Funchal Notícias, o cabeça-de-lista do CDS/PP pelo círculo da Região Autónoma da Madeira e líder do partido, José Manuel Rodrigues assume-se, nestas eleições, como “o único candidato que já conhece o funcionamento e tem experiência no Parlamento nacional”.

Funchal Notícias: “Uma boa notícia” foi o slogan da sua entrada para política, precisamente em eleições para a Assembleia da República, em 1995. Hoje é acusado de ser o eterno candidato a tudo. Porquê?

JOSÉ MANUEL RODRIGUES – Ao longo do meu percurso como presidente do CDS, tive que aceitar ser candidato a muita coisa porque o partido não dispunha de quadros e entendia que a minha candidatura era uma mais-valia. Nunca virei a cara às dificuldades, nem mesmo quando tive que fazer campanha praticamente sozinho, condicionado pela ausência de liberdade e de democracia na nossa terra. Estive sempre na primeira linha do combate político. A situação hoje é muito diferente. Ajudei a construir um partido com bons quadros, sobretudo no Parlamento regional, mas também nas câmaras municipais, nas assembleias municipais e assembleias de freguesia.

Em 2009 fui eleito para a Assembleia da República e aproveito para lembrar que o partido esteve 30 anos sem representação no Parlamento nacional. Voltei a ser reeleito em 2011e em 2012 deixei Lisboa em rutura com o governo porque discordava de algumas medidas injustas, como o aumento da Taxa Social Única dos trabalhadores que, felizmente, não foi posta em prática, e vim para a Madeira preparar as eleições autárquicas e as regionais deste ano. Julgo que os madeirenses reconhecem o trabalho que fiz em São Bento.

A minha convicção é a de que a minha acção será agora de novo mais importante na Assembleia da República. É aí que se decidirá muito do futuro da Madeira e estou em crer que a minha experiência e conhecimento podem dar um contributo para resolver os problemas da Madeira que estão dependentes do Governo Central. Vou empenhado em contribuir para a consolidação de um novo relacionamento entre a Região e o Estado, que ajude a solucionar os assuntos pendentes da República.

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“O deputado Rui Barreto assumirá novas e importantes funções no Parlamento da Madeira e no partido”.

FN- O actual deputado do CDS Madeira em São Bento está fora das listas. Porquê?

JMR – O deputado Rui Barreto fez um excelente trabalho na Assembleia da República. Eu e ele entramos, muitas vezes, em conflito com o CDS nacional e com o Governo da República para defendermos os madeirenses. Eu próprio votei contra o Plano de Ajustamento Económico e Financeira e o aumento da carga fiscal e, depois, o deputado Rui Barreto, que me substituiu, votou, por decisão do partido, contra os orçamentos do Estado para 2013 e 2014. Há, portanto, um trabalho de enorme compromisso dos deputados do CDS para com os madeirenses e porto-santenses que foi cumprido, em detrimento da disciplina partidária.

Julgo, por isso, que o CDS tem toda a legitimidade para pedir o apoio do eleitorado para que possamos prosseguir este trabalho em defesa da Madeira e do Porto Santo. O deputado Rui Barreto assumirá novas e importantes funções no Parlamento da Madeira e no partido.

FN- Se o CDS não conseguir reeleger um deputado será uma derrota pessoal ou política?

JMR – O trabalho que realizei e a ação do deputado Rui Barreto são a melhor garantida de que a população da Madeira e do Porto Santo saberá reconhecer que fizemos a diferença. Eu diria que há um antes e um depois da representação do CDS pela Madeira na Assembleia da República. Durante 30 anos tivemos deputados do PSD e do PS pela Madeira na Assembleia da República que só falavam da Região na discussão do Orçamento de Estado. Reivindicavam apenas mais dinheiro e esqueciam-se de outros direitos dos madeirenses, como o preço das passagens aéreas, as ligações marítimas com o continente, a necessidade de instalar um radar meteorológico e a urgência de melhorar os serviços do Estado na Região. Todas estas questões foram levantadas pelos deputados do CDS na Assembleia da República, e é por isso que há um antes e um depois da eleição de um deputado do CDS à Assembleia da República. É por tudo isto que acredito que os madeirenses voltarão a eleger o CDS para os representar na Assembleia da República.

Nestas eleições sou o único candidato que já conhece o funcionamento e tem experiência no Parlamento nacional. Bem sei que vivemos tempos em que a superficialidade vai fazendo caminho, mas quero continuar a acreditar que a experiência das pessoas é para ser valorizada e não apontada como um defeito.

A antiguidade em política não é um posto, mas o trabalho que realizamos não é uma coisa abstrata, é visto e avaliado pelas pessoas. E eu acredito que os madeirenses reconhecem que tenho provas dadas na defesa dos direitos da Região.

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“Nestas eleições sou o único candidato que já conhece o funcionamento e tem experiência no Parlamento nacional.”

FN- A entrada do JPP em cena é mau ou bom para o CDS?

JMR – Não é bom nem mau. O Movimento tem legitimidade para se transformar em partido político, mas a sua mais-valia, aos olhos dos eleitores, que era ser formado por cidadãos independentes, deixou de existir. Não vejo que até agora os seus deputados tenham vindo acrescentar nada à política regional e à Assembleia Legislativa.

Tenho apreço pelas pessoas, mas acho que deveriam concentrar-se mais numa boa gestão das autarquias de Santa Cruz que lhes foram confiadas.

FN- Como é que se faz oposição na Madeira quando se é governo na República?

JMR – Não é fácil ser governo no continente com o PSD e fazer oposição na Madeira ao PSD, para mais quando se é o principal partido da Oposição na Região. Os que dizem que o CDS teve um resultado mau nas últimas eleições regionais, não conseguiram perceber que o partido teve que lidar com duas realidades extremas: ser governo com o PSD ao nível nacional e manter-se como maior partido da oposição na Madeira, por vontade dos eleitores. Creio que isso foi percebido pelas pessoas porque o CDS soube distinguir muito bem o que eram os interesses da Madeira, em Lisboa, e os interesses dos madeirenses, na Região.

FN- O que é que o faz dizer desta água não beberei?

JMR – Existem valores imutáveis, mas a vida dá muitas voltas. Prefiro ser prudente. Nada é para sempre, tudo é finito. Até porque se essa água matasse, muita gente já teria morrido afogada.

FN- O que é que vai fazer para que o CDS-M não deixe escapar a Câmara que ganhou em 2013?

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“O poder só é fascinante se for para servir as pessoas.”

JMR – Está à vista de todos que a Câmara de Santana é uma Câmara-modelo. Em dois anos baixou para metade a dívida que herdou. Apesar dessa enorme tarefa conseguiu, com cortes nas despesas correntes e nos desperdícios, desenvolve uma política fiscal amiga das famílias, mantém o IMI na taxa mínima, devolve aos contribuintes 4% da receita do IRS, tem políticas de apoio à natalidade, aos idosos, aumentou as bolsas de estudo e premeia o mérito escolar. Por tudo isto, acredito que o pFN- Sente algum fascínio pelo poder?

JMR – O poder só é fascinante se for para servir as pessoas. Não tenho nenhuma atração do poder pelo poder. O que me move é colocar o poder das minhas decisões na resolução dos problemas concretos das pessoas. Sou, aliás, de opinião que as carreiras políticas deveriam começar pelas autarquias, porque é aí que se conhece a realidade da vida das populações.

Tenho acumulado as funções de deputado na Assembleia Legislativa com as de vereador na Câmara do Funchal, onde o voto do CDS tem sido decisivo. Isso tem sido motivo de satisfação porque me tem permitido apresentar propostas para melhorar as condições de vida dos funchalenses. Dou alguns exemplos: devolução de 1% do IRS (que totaliza 1 milhão e 200 mil euros), introdução do IMI familiar, o que significa que as famílias com mais filhos pagam menos IMI, redução dos preços dos parcómetros, novos prazos para o pagamento da conta da água (vulgo relaxe), apoio ao comércio e restauração, com reduções de 50% nas taxas aplicadas a estes dois sectores, ou seja, um conjunto de medidas concretas de que já beneficiam as populações. Isto sim, é utilizar o poder em prol das pessoas.

FN- Vai apoiar Rui Rio ou Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência da República?

JMR – A questão das presidenciais, ao nível do centro e da direita, só deve ser tratada depois das eleições legislativas, mas considero que qualquer um desses dois candidatos têm qualidades para o cargo de Presidente da República, e embora tenham perfis diferentes, são figuras com sentido de Estado.

FN- Faz alguma confusão que PSD e CDS não se coliguem na Madeira para as Legislativas nacionais?

JMR – Não, e a razão é simples: na Madeira, um desses partidos está no poder, outro é líder da Oposição. Foi sempre assim, nos últimos 40 anos, por isso não faz sentido que se coligassem. Estamos perante realidades diferentes. No país, foi entendido que deveria haver uma coligação para governar o país, até pelas circunstâncias difíceis em que o PS deixou o país, sem dinheiro para pagar salários e pensões. Na Região, o CDS é oposição há 40 anos e há 40 anos que o PSD é poder. Nos últimos anos, o povo entendeu dar ao CDS mais força, e portanto o partido é cada vez mais alternativa na Madeira, até porque esta dita ‘renovação’ pode rapidamente acabar em deceção.

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“No caso das eleições de 4 de outubro, na Madeira o que está em causa é a eleição de seis deputados para representarem a Região o melhor que souberem”.

FN- Para a Madeira, porque é que a coligação liderada por Passos Coelho deve ser o próximo governo de Portugal?

JMR – Apesar de alguns erros e algumas injustiças cometidas por este governo, e até pelo fato de eu e o deputado Rui Barreto entendermos que o ajustamento deveria ter sido feito através do corte nas despesas do Estado e não tanto pelo lado da receita, com aumento de impostos, redução de salários e pensões, temos legitimidade para reconhecer que este governo tirou o país da bancarrota, cumpriu com o memorado que foi assinado pelo PS e fez tudo isto nos prazos acordados, sem pedir mais dinheiro, libertando Portugal da ‘troika’.

Claro que as medidas tiveram consequências no aumento do desemprego e da pobreza, no corte dos salários e pensões, mas foi o conjunto de todas estas circunstâncias e sacrifícios de todos os portugueses que trouxeram o país para a recuperação económica. Portugal está melhor, a taxa de desemprego já é inferior a 2011. Agora, os portugueses têm duas escolhas: o regresso ao passado protagonizado pelo PS e pelo “número dois” de José Sócrates, que é António Costa, ou prosseguir este caminho de recuperação económica, baseado nas exportações, no turismo, na criação de riqueza e até na melhora de vida das pessoas, através da devolução dos rendimentos que foram cortados.

Além disso ficámos a saber que António Costa não respeita a autonomia do PS regional e, portanto, também não respeita a autonomia da Madeira, caso fosse primeiro-ministro.

No caso das eleições de 4 de outubro, na Madeira o que está em causa é a eleição de seis deputados para representarem a Região o melhor que souberem, na certeza, porém, de que não podemos ter em S. Bento deputados frouxos, sem experiência, que digam ámen a tudo. Temos que ter deputados corajosos, que levantem a voz em defesa dos interesses regionais, como fizeram os deputados do CDS pela Madeira nos últimos anos.

Tal como em 2009 e 2011, reafirmo agora que o meu compromisso é com os madeirenses e não com qualquer líder, com um candidato a primeiro-ministro ou com uma coligação. Foi isso que prometi e foi isso que cumpri. Voltarei a colocar a Madeira acima de tudo!

FN- Vai ser o candidato do CDS às Regionais de 2019?

JMR – O futuro só a Deus pertence!