A Barreirinha dos carolas na década de 70

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Na década de 70, ninguém ousava falar de promenades e de sofisticadas marinas. A praia do povo era a Barreirinha, feita de calhau rolado e de gente humilde mas aficionada deste cantinho balnear e do salutar convívio. Depois, o progresso trouxe um pouco de tudo: melhores infraestruturas, mais acesso ao mar, apesar de parte subtraído discretamente pelas unidades hoteleiras, mas a Barreirinha continua a acolher os banhistas. O temporal de 2010 galgou impiedosamente o betão e destruiu grande parte desta praia. Foram feitas obras que melhoraram o espaço mas as crianças ficaram sem a piscina e lá se têm de contentar com o calhau, no bom e mau tempo.
Mas as imagens transportam-nos para outras eras, aquelas em que o Virgílio, conhecido pelo “Gibinha”, era o porteiro. O chefe do espaço, o mais velho dos irmãos Faria, jogador do Marítimo, gritava logo do alto do seu bronzeado, à descida das escadas, que a Barreirinha já estava lotada e era preciso procurar outro espaço.Do outro lado, o irmão, mais conhecido pelo “Gineto”, dava ao pessoal um cesto e uma pulseira para guardar a roupa durante os banhos. No bar, Humberto, “O Chino”, ex-jogador do União, e o seu irmão Álvaro, exibiam-se nas famosas sandes de lapas e vinagrete.
Nos anos setenta, a Barreirinha tinha uma prancha de saltos que era o palco de verdadeiros acrobatas das águas, como o Martinho Caradeco, com os seus duplos mortais, e o anão com o mortal em parafuso. Mas mais carolas faziam animar a Barreirinha. “O Gaivota” e até o Pepe da Banana, de manhã, pelas 7 horas, formavam o grupo dos amigos da Barreirinha com as suas canções e exercícios de ginástica para levantar o dia.
A velha guarda comparecia à chamada para a antiga estância balnear popular funchalense: o Dr Remígio, o Simplício da Nestlé, o Abrão, o Prof. Ferreira e tantos outros que por lá se refrescaram… aguardavam pela passagem do Pirata Azul que saudava a malta com uns apitos bem sonoros e era retribuído pelos acenos dos apaixonados pela Barreirinha.
É um universo de memórias que fala bem alto na Barreirinha. Bem mais recentemente se ouviu falar da construção de um complexo balnear moderno que incluía o velhinho e degradado Toco. Foi palavreado que não singrou. Investiram noutras áreas mais modernas da cidade e, de certa forma, pouparam a Barreirinha.
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