Papa Francisco propõe conversão ecológica

padre-marcosO Papa Francisco publicou a encíclica Laudato si (Louvado sejas). Uma carta a todo o mundo católico e a cada pessoa que habita neste planeta. A encíclica não será apenas uma “encíclica verde” mas quer propor uma ecologia integral, colocando o ser humano dentro da reflexão. Há também uma ecologia na forma de cuidar do corpo e na defesa da vida humana. Trata-se de não apenas cuidar e proteger a natureza mas de promover hábitos e atitudes novos, uma verdadeira proposta de mudança de paradigma de progresso e desenvolvimento. Percebemos que todos acabamos por ser escravos da tecnocracia, do mito moderno do progresso material sem limites. É urgente passar do consumismo exagerado e destruidor das pessoas e do Planeta para um novo paradigma de progresso amigo do homem e do Planeta. O Papa Francisco, seguindo os passos do grande santo de Assis, vai manifestar uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Em São Francisco de Assis nota-se bem a unidade entre a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e na paz interior.

O texto é um alerta, um apelo, um desafio lançado não só aos governantes das nações, às empresas, aos grupos e comunidades e religiões mas também a cada um em particular. Um convite ao diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do Planeta e qual a herança que queremos deixar. O documento é também um sinal de esperança: Deus não nos abandona e podemos, ainda, mudar de rumo.

Diante dos seis capítulos e 246 parágrafos, quero salientar o desafio colocado a cada um de nós: a conversão ecológica. A humanidade e todos nós precisamos de mudar. Ganhar uma nova atitude diante da beleza da criação de Deus e novos hábitos de vida. Crescemos e fomos educados na certeza de que quanto mais consumimos mais felizes somos. Rapidamente percebemos que as coisas, só por si, não trazem a felicidade que todos desejamos. Todo o sistema nos faz acreditar que precisamos de mais e mais, do último modelo, da novidade, para ser mais e mais felizes. O que se verifica é um vazio e uma angústia no coração do homem porque as coisas simplesmente não podem garantir a felicidade. Como é urgente educar para novos horizontes de vida e de entendimento da felicidade! Seja este o tempo favorável para um novo início, o despertar duma nova referência face à vida. A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de traduzir-se em novos hábitos. A conversão ecológica exige não apenas a consciencialização mas exige novas atitudes e novos hábitos perante a vida, a relação consigo mesmo, com a criação, com o próprio Deus. Não basta informar é necessário maturar hábitos. É muito nobre, diz o Papa, o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias. Reduzir o consumo de plásticos, reduzir o consumo da água, diferenciar o lixo, não desperdiçar alimentos, tratar com desvelo os outros seres vivos, apagar as luzes desnecessárias, reutilizar, etc. Como seria importante que as famílias fossem transmissoras desses novos hábitos! O Papa convida a agradecer a Deus na hora das refeições, como medida simples para criar um coração grato e humilde. Devemos educar as crianças para uma vida mais simples e valorizar a contemplação da beleza da criação, da amizade, da natureza, dos seres vivos. Da beleza do viver em sociedade e do comprometer-se a participar e a contribuir para o bem comum.

O Papa convida a todos os crentes a sair da indiferença. Seja a fé cristã um grande contributo para o esforço de renovação da humanidade. O Evangelho deve ter consequências no nosso modo de pensar, sentir e viver. A fé deve fazer crescer e alimentar uma paixão pelo cuidado do mundo. Devemos deixar emergir com o mundo que nos rodeia todas as consequências do encontro com Jesus.

Como cristãos devemos ser responsáveis, guardiões da beleza da obra de Deus. À conversão individual deve seguir-se uma conversão comunitária. Passar do exagero do consumismo a uma vida mais tranquila, com menos coisas supérfluas, um estilo contemplativo da vida, do outro, do mundo, gerador de alegria. Um regresso à simplicidade que nos permite parar para saborear as pequenas coisas da vida e dar-lhes valor. Agradecer as possibilidades que a vida oferece sem nos apegarmos ao que temos e sem nos entristecermos por aquilo que não possuímos. A sobriedade da vida é libertadora.


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