O final de cada época desportiva é sempre um momento crítico ao nível da gestão de um setor tão sensível como é a arbitragem. É altura de se dar a conhecer a avaliação de desempenho feita ao longo da temporada, publicarem classificações, reformularem quadros, enfim… definir-se a vida / carreira dos seus agentes principais – os árbitros.
As vitórias / sucessos dos clubes são normalmente associadas ao mérito, à competência, ao trabalho; nas derrotas não deixam de se apresentar queixas ao desempenho dos árbitros, não só nos seus jogos mas, muitas vezes, também nos dos seus adversários diretos.
O mesmo acontece com os árbitros. Os sucessos são exclusivamente da sua responsabilidade, mas os insucessos resultam da incompetência de quem avalia ou gere o setor.
Em resumo, quando “perdem”, os clubes queixam-se dos árbitros e estes dos observadores e/ou dirigentes. Se “ganham”, o mérito é todo para si, ainda que os dirigentes e observadores tenham sido os mesmos.
A avaliação de desempenho é um processo tão complexo, quanto necessário a uma gestão eficaz de qualquer organização desportiva.
Tem de ser vista como um fator de motivação e estímulo ao desenvolvimento dos árbitros e não como mais uma forma de pressão sobre as suas performances.
Para isso, tem que utilizar uma escala e critérios de avaliação claros, objetivos e justos e estar assente num regulamento com as mesmas características. Tem de recolher contributos de todos os envolvidos, embora a decisão final seja sempre dos seus gestores de topo que possuem uma visão global do fenómeno.
Tem de ser idealizada com base em critérios de desenvolvimento da função e da modalidade, deixando para segundo plano interesses individuais, seja de que natureza for.
Os recursos humanos envolvidos no processo avaliativo e classificativo têm que ser conhecedores da modalidade, da função e possuir os mais altos atributos éticos e morais.
Todo o caminho até chegar ao produto final tem que ser absolutamente transparente, dando conhecimento a todos os interessados dos seus fatores de avaliação e dos seus competidores diretos.
Só assim os avaliados poderão encarar o processo de uma forma positiva, aproveitando-o para potenciar o desenvolvimento das suas capacidades, centrando-se nas variáveis que dependem essencialmente do seu desempenho e não nas que pertencem aos seus gestores e colegas.
Estamos em crer que, alguns destes pequenos passos, não resolveriam todos os problemas que anualmente se colocam à avaliação de desempenho dos árbitros, mas ajudariam em muito a diminuir o “ruído” à volta das classificações.
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