Carlos Pereira apela à “Madeiranidade”

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Foi inteiramente diferente, na sua natureza, o discurso do líder do Partido Socialista, Carlos Pereira, na Assembleia Regional na manhã de hoje, em relação aos porta-vozes dos outros partidos. O mesmo preferiu dar um cunho épico à sua intervenção, afirmando que os madeirenses são feitos de “bravura, como se a natureza da terra, os picos das montanhas e as ribeiras no inverno se unissem sem clemência para garantir que a vontade e a determinação dos madeirenses é a sua essência e será sempre a sua marca”.

Dirigindo-se aos madeirenses na RAM e da diáspora, particularmente aos “que precisam de ajuda, se sentem sós, têm fome, não têm emprego, estão doentes, tristes e abandonados”, inaugurou um novo conceito ao falar de “Madeiranidade”, que, disse, “não pode ser um edifício áspero, contemplativo, escuro e arrogante”. A busca da felicidade tem de ser o caminho, poetizou.

Hoje houve manifestação dos trabalhadores do Regency, frente ao parlamento.
Hoje houve manifestação dos trabalhadores do Regency, frente ao parlamento.

Elogiando fortemente os emigrantes, mais de um milhão, lembrou, que são “a voz, o rosto, o braço da Madeira pelo mundo adentro”, Carlos Pereira lamentou que não se tenha conseguido “puxar para dentro da Madeira este capital humano”.

“As comunidades madeirenses devem fazer parte do nosso quotidiano”, frisou.

Quanto à conquista da Autonomia, lamentou a vivência de um longo período de perseguições, medo e limites à liberdade, que a condicionaram seriamente.

Projectando o futuro, defendeu que “temos uma suprema oportunidade de trabalhar numa proposta de alteração do Estatuto Político e Administrativo que nos satisfaça e permita recuperar o que perdemos ou não fomos capazes de conquistar”. O PS entende que seria prudente e útil aos madeirenses introduzir um debate alargado na sociedade madeirense sobre o futuro desse estatuto.