Roberto Almada
Em 2008, o Governo Regional que, nessa altura, tinha o apoio incondicional de Miguel Albuquerque acordou com o governo da República, liderado por José Sócrates, o fim das obrigações de serviço público na linha aérea da Madeira. Com o fim das obrigações de serviço público, asseguradas então pelo Grupo TAP, em code-share com a SATA, tivemos a liberalização desta rota e a promessa de que a entrada das low-cost, e de outras operadoras, viriam tornar as viagens entre a Madeira e o restante território nacional muito acessíveis. Na altura – perante a euforia do PSD, CDS e PS –, o BE levantou-se contra a liberalização e avisou que, não obstante algumas viagens mais baratas, esse negócio seria ruinoso para os madeirenses que iriam pagar verdadeiras fortunas para se deslocarem dentro do mesmo país.
Infelizmente, em 2008, tivemos razão antes do tempo. Fomos zurzidos por isso. A então Secretária dos Transportes apelidou-nos de “profetas da desgraça” e rejeitou a nossa proposta, apresentada na Assembleia da Madeira e na Assembleia da República, da criação de um tecto máximo para as viagens. “É uma asneira. Com um tecto máximo as companhias vão praticar os preços próximos do tecto máximo e não vamos ter viagens mais baratas”, disse, no Parlamento, Conceição Estudante. PSD, CDS e PS – tanto na Região como na República – alinharam neste discurso e não ouvimos Albuquerque, José Manuel Rodrigues ou Carlos Pereira, na altura, defender esta proposta. Sete anos volvidos, quando os madeirenses têm que pagar pela viagem Funchal-Lisboa ou Funchal-Porto mais do que Funchal-Londres ou Funchal-Paris, os partidos do arco da liberalização já defendem aquilo que o BE propôs em 2008 e que eles, em bando, chumbaram. Agora em 2015, em plena ‘perestroika jardinista’ promovida por Albuquerque, vem Passos Coelho prometer viagens mais baratas. Ainda bem.
Estamos de acordo. Vamos ver em que condições, mas apoiaremos tudo o que seja melhor para os madeirenses. Só que há uma questão que tem que ser colocada: se é possível, em 2015, ter um tecto máximo e fazer com que os madeirenses paguem menos pelas viagens, porque castigaram os madeirenses durante 7 anos?! Porque o Dr. Jardim andava de “candeias às avessas” com Passos Coelho?! E os madeirenses foram punidos por zangas pessoais e partidárias?! É preciso apurar responsabilidades e saber por que razão asfixiaram os madeirenses durante estes anos todos quando, afinal, era possível poupar milhares de portugueses deste arquipélago a esta canalhice!
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