Antiquário madeirense distinguido em Londres com a Masterpiece Highlight

Masterpiece Highlight 2015_Double pipe case (1)

O antiquário português Jorge Welsh – Porcelana Oriental e Obras de Arte, com reconhecida experiência em obras de arte inter-culturais, foi distinguido pela organização do certame Masterpiece London com o prémio Masterpiece Highlight 2015 na categoria Cerâmica, Mobiliário e Obras de Arte Indianas e Islâmicas. Durante a preview da feira, dia 24, o comité de vetting, formado por especialistas, selecionou uma caixa para guardar cachimbos, extremamente rara, do século XVII, proveniente do Sri Lanka, como uma das peças em destaque na feira. Os especialistas destacaram a caixa para guardar cachimbos como representativa da excelência, raridade e conhecimento das peças dentro de sua categoria.

Datada de meados do século XVII, a caixa é feita em madeira, coberta com folha de mica e placas entalhadas de marfim, medindo 63,5 centímetros de comprimento e 7,8 centímetros de largura. Tem espaço para guardar dois cachimbos.

O tabaco, originalmente importado da América Latina, terá chegado ao Oriente durante o século XVI. Devido às suas propriedades medicinais, este produto era caro e acedido apenas por um número restrito de pessoas, mas, em pouco tempo, difundiu-se por toda a sociedade. No entanto, as caixas para proteger os frágeis cachimbos de barro eram apenas usadas por pessoas abastadas. Gouda, na Holanda, era o principal centro de produção, sendo este tipo de objecto bastante popular entre holandeses residentes nos trópicos, que as importavam dessas latitudes. As caixas cingalesas para guardar cachimbos são extremamente raras e pertencem a um grupo de objectos de grande qualidade feitos para exportação.

“Segundo o nosso conhecimento”, referem os responsáveis da galeria Jorge Welsh, “existem apenas cinco caixas de cachimbo semelhantes conhecidas. Uma caixa com uma representação de um holandês a fumar cachimbo na tampa, encontra-se no Rijksmuseum, em Amsterdão. Dois painéis de marfim perfurado, produzidos para prender dois cachimbos, encontra-se no Victoria and Albert Museum, em Londres. Uma terceira caixa, com um remate de leão na tampa. pertence ao Asian Civilizations Museum, em Singapura e duas outras encontram-se em coleções privadas”.

Antiquários com 30 anos de experiência no mercado de arte, Jorge Welsh e Luísa Vinhais estão orgulhosos por mostrar na feira Masterpiece uma obra de arte tão importante, do século XVII, do Sri Lanka, parte de uma coleção de objetos de marfim que incluem contadores e outras tipologias. “Há muito tempo que colecionamos, investigamos e exibimos trabalhos inter-culturais de arte de África, Índia, Sri Lanka, China e Japão. Este reconhecimento da Masterpiece é importante e estamos muito orgulhosos.”

Tendo chegado ao Ceilão, atual Sri Lanka, em 1506, os portugueses mantiveram uma forte presença até meados do século XVII, tendo encomendado, durante a sua estadia, uma grande variedade de produtos de luxo, explicam. Sob o patrocínio dos portugueses, os artesãos cingaleses receberam as primeiras encomendas de mobiliário com formas europeias, incluindo cofres, arcas, escritórios e contadores, produzidos em madeira, ou esculpidos em marfim, e por vezes com pedras preciosas incrustadas. A escultura em marfim era uma atividade artesanal tradicional muito apreciada no Ceilão e a qualidade técnica e artística extraordinária destas peças era amplamente reconhecida na Europa. Assim sendo, peças como estas eram extremamente caras e encontravam-se ao alcance dos mais abastados da sociedade. A presença de um número significativo de contadores cingaleses em importantes coleções europeias ilustra a sua relevância.

Outro dos destaques do stand é uma guarnição completa, de cinco peças, datada de 1700-1710, decorada com quatro cenas europeias, inspiradas em gravuras feitas pelos três irmãos da família Bonnart em Paris: Robert (1652-ca.1729), Nicolas (1637-1718) e Henry (1642-1711). Estas cenas parecem pertencer a três diferentes conjuntos de gravuras: duas delas de um conjunto intitulado “As Três Graças”, uma de “Os Cinco Sentidos”, e a outra pintada a partir do  conjunto “Os Elementos”. Quando foram publicadas, entre 1685 e 1700, as gravuras de moda em cobre e os retratos de moda estavam muito em voga em Paris. Embora a origem das cenas seja, sem dúvida, francesa, não se sabe se esta guarnição de porcelana era destinada ao mercado francês, pois a moda em Paris foi amplamente imitada por toda a Europa neste período. A título de exemplo, o penteado das senhoras retratadas nas peças da guarnição, é conhecido como à la mode Fontanges, referindo-se ao penteado de uma das amantes do rei Luís XIV. Uma guarnição de três peças muito semelhante, composta por dois vasos cilíndricos de boca e pé evertidos, e por um vaso em forma de balaústre, da coleção do imperador Augusto o Forte, encontra-se no Museu Zwinger, em Dresden.

A Feira:

A Masterpiece ocupa uma posição de destaque na temporada de verão do calendário de arte, atraindo visitantes internacionais e britânicos, àquela que é considerada a feira de arte e antiguidades mais representativa em Londres. Em 2014 registou um recorde de 100.000.000 de libras em arte vendida e mais de 35.000 visitantes, em 8 dias, gerando boas perspectivas para a feira deste ano. O sucesso da feira pode ser atribuído ao aumento do número de vendas privadas e ao crescente interesse e compra por parte de instituições de renome mundial, incluindo o Museum of Fine Arts de Boston, Rijksmuseum, MoMA, British Museum, Victoria & Albert Museum, The Getty e Tate.

Para Jorge Welsh e Luísa Vinhais, “Londres é um dos centros internacionais de arte e antiguidades mais procurado em Junho. Conservadores de museus e colecionadores de todo o mundo visitam a cidade em busca de obras de arte de excelente qualidade. A Masterpiece é, portanto, uma das feiras de visita obrigatória e é com grande orgulho que representamos Portugal numa feira desta qualidade e dimensão”.

Jorge Welsh – Porcelana Oriental e Obras de Arte:

A galeria Jorge Welsh foi fundada em 1986. Jorge Welsh e Luísa Vinhais são especialistas em porcelana chinesa – com ênfase em porcelana de exportação – e obras interculturais de arte da África, Índia e Japão, do século XV ao século XVIII.
Com galerias em Londres e Lisboa, Jorge Welsh e Luísa Vinhais participam regularmente em feiras de arte de renome, incluindo TEFAF Maastricht, La Biennale des Antiquaires de Paris, Asian Art in Londres e Masterpiece London.
As suas obras de arte são adquiridas por colecionadores e museus em todo o mundo (tais como o The Metropolitan Museum of Art, Philadelphia Museum of Art, Art Gallery of South Australia, Rijksmuseum, Louvre Abu Dhabi, Shanghai Museum, Staatliche Kunstsammlungen Dresden-Zwinger, Guanfu Museum, Museo Nacional de Artes Decorativas, Museu Nacional de Arte Antiga) e regularmente emprestadas para exposições temporárias.
Jorge Welsh Books, a divisão de publicação e de pesquisa, publicou mais de 20 livros e catálogos. Cinco novos livros estão a ser preparados e devem ser brevemente lançados. Juntamente com sua equipa de investigadores residente e estudiosos internacionais independentes, o objectivo destas publicações é contribuir para aprofundar o conhecimento nas suas áreas de especialização.