Susana Silva bate com a porta ao PSD e vai para assessora do PS

Susana Silva, assessora de imprensa PS-M

Agora o PS, para trás fica o PSD. Esta é a postura de Susana Silva, a ex-mandatária de Cunha Silva que, esta semana, assumiu as funções de assessora de imprensa do partido socialista. A mudança apanhou de surpresa figuras de ambas as forças partidárias. A própria desdramatiza e refere que a nova liderança de Carlos Pereira é inspiradora e difere de alguns comportamentos do PSD que a desiludiram.

Chama-se Susana Silva, tem 27 anos e, até à semana passada, trabalhava como locutora na Rádio Calheta. Até recentemente foi militante ativa da JSD-M, sendo inclusive uma das caras da candidatura de Rui Marques à Câmara da Ponta de Sol nas autárquicas de 2013. A isto acresce o facto de ter sido a mandatária do candidato Cunha e Silva, nas últimas eleições internas do PSD-M, na Calheta. Nessa altura, conforme a mensagem institucional do partido, Susana Silva defendia que o vice de Jardim era a esperança dos jovens e a melhor escolha para a mudança.

Até aqui nada de estranho. A surpresa reside no facto de Susana Silva ter batido definitivamente com a porta ao PSD-M e integrar agora a equipa do partido socialista, como assessora de imprensa, cargo que assumiu oficialmente no início desta semana. Ao que apurámos, o convite partiu do próprio líder Carlos Pereira.

Contactada pelo Funchal Notícias, a militante social-democrata demissionária explicou que a mudança de rumo na sua vida partidária e profissional se deve essencialmente à credibilidade do projeto do PS-M, configurado na liderança de Carlos Pereira e no papel unificador de Sofia Canha, aliás sua professora e figura que muito respeita e admira.

“Neste contexto de transição de liderança no Partido Socialista, identifico-me mais com as ideias e os projetos da equipa liderada por Carlos Pereira”, sublinha. “Era algo que já vinha a sentir ultimamente, apesar da militância no PSD. Mudo porque acredito neste líder e nesta equipa.”

Questionada sobre as suas convicções quanto à mudança preconizada pelo novo líder laranja, Miguel Albuquerque, Susana Silva esquivou-se uma vez mais. “A partir deste momento, estou de corpo e alma para o PS, nada mais tenho a ver com o PSD”.

Sem retaliação do PSD-M

Afirmando ter uma personalidade que gosta de abraçar novos projetos e desafios, a ex-locutora está convicta de que a opção PS-M “é um projeto que vale a pena”, dada a nova mentalidade e os valores nos quais acredita e defende.

“É uma nova liderança aberta e agregadora, com um comportamento diferente do que acontecia anteriormente e, nesse sentido, sinto-me à vontade para integrar este grupo. Fui bem aceite, mas também não senti, até momento, qualquer retaliação por parte do PSD”.

Susana Silva não quis especificar as razões que levaram ao seu afastamento do partido da Rua dos Netos, “por não querer alimentar polémicas”, mas não escondeu que sai desiludida, devido a comportamentos menos corretos e com os quais não concordava.

“Tinha muita coisa a dizer, mas prefiro não entrar em polémicas”, avança. “Há uma série de questões, as quais não quero referir, que me levaram a sair. São pequenas atitudes que nos fazem mudar de opinião. É claro que vi determinadas coisas que me desiludiram.”

Confrontada com a possibilidade de a sua decisão poder vir a ser mal interpretada, Susana Silva desdramatiza. “A partir do momento em que me identifico com um projeto político, sou fiel à minha opinião e não à dos outros. Não há drama em mudar. Evidentemente, se mudam os líderes e os projetos, as pessoas são livres de abraçar as novas ideias”.

“Fez muito bem. Felicito-a”

Susana Silva encontra-se em situação de militante demissionário, tendo já dado a conhecer ao PSD-M a sua vontade em desvincular-se do partido. Logo que seja legalmente possível, garantiu ao Funchal Notícias que irá tornar-se militante do PS-M. “ Estou agora mais preocupada com o bom funcionamento do trabalho que estamos a realizar – congresso – do que andar em burocracias, porque de burocracias está a Madeira cansada”.

Filipe Malheiro, uma das figuras proeminentes do PSD-M foi apanhado de surpresa com a notícia. Ao contrário de militantes do PS-M que não quiseram comentar, o ex-jornalista afirmou que para “a malta mais nova” a carreira profissional é muito mais importante do que abanar bandeiras. “E assim é que deve ser. A carreira profissional deve estar em primeiro lugar”, apoiou. “ Fez muito bem e felicito-a. Se foi convidada é porque tem valor e vai ter a oportunidade de mostrar o seu trabalho.