Quando Freitas do Amaral ainda gostava do CDS

freitas-amaral-madeira-1978Freitas do Amaral, para além de indiscutível brilhante professor de Direito, foi também fundador do partido Centro Democrático Social (Cristão), hoje rebatizado CDS-PP, uma tentativa de aproximação de um partido aristocrata ao povo.

A imagem mostra uma passagem histórica de Freitas do Amaral pela Madeira com o propósito de inaugurar a primeira sede do CDS, mais precisamente na Rua 31 de janeiro, em 1976, num imóvel cedido por um empresário da construção. O cumprimento a Freitas do Amaral é feito por Freitas Branco, então funcionário do Banco Espírito Santo e revisor do Jornal da Madeira, sendo ainda mais tarde correspondente do semanário “Sempre Fixe”. No meio dos militantes, vislumbra-se o não menos histórico Cabral Fernandes.

Vivia-se num tempo de convicções, de ideologias, de não haver qualquer equívoco sobre a vocação deste partido de direita e cristão para a formação de bons quadros para o governo.

Mas, como já dizia Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. O CDS perdeu o seu histórico líder nacional, Francisco Lucas Pires, e Freitas do Amaral, cheio de sapiência, não replicava votos nas urnas. Era um general sem exército. Os tempos correram e eis que o fundador do CDS aceita o convite, nem mais nem menos de José Sócrates – o homem que recusa hoje a pulseira eletrónica na prisão – para integrar um governo socialista, como ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas foi sol de pouca dura. Tempos depois, afastava-se do governo, alegando as habituais razões do foro pessoal e familiar. Aposentado do ensino universitário e da política, de vez em quando, Amaral dá umas aulas como comentador televisivo, onde é mais fácil criticar do que conquistar os eleitores nas urnas.

A sede do CDS também mudou da 31 de janeiro para a Rua da Mouraria. Sem as vedetas históricas do costume, eis que o líder nacional Paulo Portas consegue o impensável para um partido que definhava e os militantes punham dinheiro do seu bolso para fazer as campanhas.O impulso Portas teve resultados nas urnas, com acesso ao governo de coligação com o PSD e evidentes apoios ao partido na Madeira com o amigo José Manuel Rodrigues. Outros tempos, outro CDS.