Evolução da Balança Comercial

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A balança de pagamentos é uma das identidades mais importantes para a economia de um país, esta subdivide-se em três balanças principais que são a balança de capital, a balança financeira e a balança corrente. Dentro desta última, encontram-se a balança de rendimentos, a balança de transferências e por fim a balança comercial. É desta última que vou centrar o artigo, observando a evolução dos seus saldos.
A balança comercial é rudimentarmente conhecida por ser a diferença entre as exportações e as importações, ou seja, a diferença entre os bens e serviços que se produz dentro do país e se vende para o exterior e os bens e serviços que se compra do exterior. É de notar que as despesas feitas pelos turistas nacionais em países estrangeiros são consideradas como importações, assim como as despesas feitas por turistas estrangeiros em território nacional são consideradas exportações.
Observando a base de dados retirada do PorData, constata-se que desde de 2003 o saldo negativo da balança comercial (a preços correntes) foi sempre crescente, tendo atingido o seu pico máximo em 2008, com um défice comercial de 16 769 770 euros, sendo que as importações também registaram o seu auge em 72 992 600 euros, nesse ano. A partir de 2008, houve um decréscimo acentuado do saldo negativo da balança comercial, tendo mesmo sido registado um excedente comercial em 2013 e 2014 de 2 953 250 euros e de 1 981 620, respectivamente. Estes excedentes comerciais foram conseguidos principalmente graças ao aumento das exportações portuguesas, que atingiram o valor de 70 203 370 euros em 2014, e também graças à diminuição, apesar de leve, das importações.
Prestando mais detalhadamente atenção a esta balança, constata-se que esta se divide em balança de bens e balança de serviços. Ao analisar estes dados em separado, verifica-se que a balança de bens foi sempre, ao longo da base de dados, negativa. Sendo que desde 1996 até 2008, esta teve uma trajectória crescente, tendo a partir de 2008 (23 952 110 euros), vindo a diminuir consideravelmente, ficando em 2014 com 8 964 860 euros, de saldo negativo. Por outro lado, a balança de serviços foi constantemente positiva, e apresentando uma evolução positiva até atingir os 10 946 470 euros de excedente em 2014.
Ou seja, o saldo positivo de 2013 e 2014, foram obtidos não só pela positividade sempre constante da balança de serviços, mas também graças ao declínio acentuado do défice da balança de bens, nesses anos.
Nesta análise à balança comercial falta saber que bens e serviços Portugal exporta e importa mais. Atendendo os últimos dados de 2012, observa-se que Portugal exporta mais em equipamento de transporte (5 828 milhões de euros), produtos têxteis, vestuário e de couro (5 561,8 milhões de euros), serviços de transporte e armazenagem (5 312,8 milhões de euros), produtos alimentares, bebidas e da indústria do tabaco (4 302,5 milhões de euros).
Por sua vez, em 2012, Portugal importou mais em minérios e outros produtos das indústrias extractivas (9 230,3 milhões de euros), produtos alimentares, bebidas e da indústria do tabaco (5 841,6 milhões de euros), produtos químicos (5 660,4 milhões de euros), equipamento de transporte (5 207,5 milhões de euros), metais de base e produtos metálicos, excepto máquinas e equipamentos (4 012,3 milhões de euros).
É de louvar o saldo positivo na balança comercial nestes últimos dois anos, mas é também preciso salientar que Portugal esteve sobre um enorme pressão em termos financeiros e devido à contracção do poder de compra da população, as importações diminuíram, fazendo com que o saldo da balança comercial ficasse positivo. Também é preciso não esquecer que estes dois anos foram a excepção à regra, e que se Portugal se vir desafogado e aumentar o poder de compra dos portugueses é muito provável que este saldo se torne negativo outra vez.


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