Jardim queria fechar a TAP e abrir outra companhia no dia seguinte

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Interpelado pelos jornalistas à margem do seminário sobre a Autonomia Política em que participou hoje na Assembleia Regional, Alberto João Jardim mostrou-se inquieto com as circunstâncias dúbias em que se prevê o cumprimento das obrigações de serviço público da TAP para as Regiões. Para o antigo governante, o apropriado seria fazer com esta companhia o que já anteriormente se fez com outras: “fecha num dia, abre outra no dia seguinte”.

“O decreto diz quais são os meios que são transferidos para a nova companhia, e em anexo ao decreto, está a lista dos trabalhadores que passam para a nova companhia. Os outros, que estão a mais ou não são úteis à companhia, ou são mesmo nefastos à companhia, vão procurar os seus direitos”, sugeriu.

Nisto, “continuo a concordar com o dr. Francisco Sá Carneiro, embora hoje seja perigoso ser ‘sá-carneirista’, tal como é perigoso ser jardinista… Mas eu prefiro ser jardinista a ser coelhista”, referiu, deixando uma farpa indirecta ao governo de Albuquerque.

“Hoje continuo a pensar [tal como Sá Carneiro] que Portugal precisa de uma companhia de bandeira. Não deve ser esta, que devia ter sido fechada e aberta outra no dia seguinte”.

Jardim não morre de amores pela TAP, que, em seu entender, “nunca foi metida na ordem” e causou sempre conflitos.

Questionado também sobre a sua possível candidatura à presidência da República, impulsionada por um grupo de apoiantes e para a qual já se mostrou disponível, desde que se juntem umas dez mil assinaturas. “Eu avanço”, prometeu, embora esteja consciente de que não tem “o grande capital” nem “os partidos políticos do regime” ao seu lado. “Por outro lado, não enriqueci na política, e portanto, não tenho eu pessoalmente dinheiro para me meter nisto”. É preciso que haja o mínimo de pessoas e de circunstâncias, sublinhou, referindo que os seus apoiantes na corrida à presidência da República “não são as pessoas importantes deste país, são as pessoas do povo, da classe média”.