Governo de Albuquerque supera primeira prova

Miguel Albuquerque
Miguel Albuquerque enfrentou com descontracção o primeiro sério embate com a oposição, mesmo quando ouviu de Dionísio Andrade (PND) que, enquanto autarca, tinha “destruído o Funchal”.

O Executivo de Miguel Albuquerque sustentou hoje os primeiros embates com os ataques já esperados da oposição. Principalmente aquela que se mostrou menos cooperativa com a suposta remodelação do PSD e do Governo: os cépticos incluíram, principalmente, o Bloco de Esquerda, o PCP, o PTP e o PND, que, pela voz dos respectivos deputados, não só confrontaram o Governo com toda uma panóplia de problemas para os quais exigem soluções, como puseram em causa a verdadeira transformação da prática política dos social-democratas para além da mera aparência.

A sessão aqueceu mais da parte da manhã, com questões fulcrais e polémicas como o posicionamento do recém-empossado Governo perante o assunto Jornal da Madeira. Entre outros assuntos, foi lançado o mote da necessidade de programas de emergência social também nas horas matutinas, exigência que viria a ser retomada ao final da tarde por Roberto Almada (BE), numa interpelação à secretária regional dos Assuntos Sociais e Inclusão, Rubina Leal, que apresentou propostas aos deputados.

Roberto Almada traçou um cenário negro que afecta os desempregados, uma população empobrecida e, principalmente, os idosos, que, declarou, deixam medicamentos nas farmácias, apesar de precisarem deles, por não terem dinheiro para os comprar. Uma realidade confirmada por muitos farmacêuticos.

Pelo meio, ficou a discussão da situação das finanças públicas numa variedade de vertentes,  com o secretário regional das Finanças, Rui Gonçalves, a ter de responder numa série de matérias, entre as quais a da suposta ameaça de despedimento que impende sobre os funcionários públicos: Gonçalves negou, afirmando que o emagrecimento do número de funcionários na Região continuará a passar por acordos mútuos.

Outros temas como a gestão do Centro Internacional de Negócios da Madeira – se continuará privada, na SDM, ou passará a pública – ficaram por esclarecer, já que Rui Gonçalves disse ainda não se ter debruçado sobre essa questão.

O secretário dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, referiu que a prioridade do Governo é manter as infraestruturas através de obras nesse sentido, mais do que lançar novas obras. Foi ‘encostado à parede’ por Dionísio Andrade (PND), deputado que pressionou com uma acusação recorrente do seu partido – a de que o monopólio do Grupo Sousa nos portos da Região tem como resultado uma estagnação da economia madeirense. Marques acabou por ter de admitir que existe excessivo proteccionismo no sector, que beneficiaria com uma maior concorrência.

Miguel Albuquerque, esse, saiu do debate de ontem mais ou menos airoso. Mostrou que é possível conviver com as críticas da oposição, mesmo daquela que não acredita nele e pouco está disposta a colaborar, de forma tranquila e sem a exaltação de outros tempos. Não se pode negar que os partidos da oposição tenham feito o seu trabalho, mas Albuquerque mostrou-se pouco susceptível e respondeu às provocações com muita capacidade de encaixe, marcando uma efectiva diferença, no grau de civilidade, com os tempos em que os governos de Jardim iam ao Parlamento.

E sempre foi prometendo algumas coisas: que o processo autonómico deverá acompanhar o progresso da Região enquanto sociedade; que será brevemente estabelecida a exportação de produtos agrícolas madeirenses por via aérea, a um preço “altamente competitivo”, num avião cargueiro de grande capacidade que começará a operar ainda antes do Verão; que o Governo terá em atenção os apoios à agricultura com a revitalização dos sistemas de distribuição da água de rega; que a Cimentos Madeira será privatizada, já que “não faz sentido” que a Madeira seja proprietária de um empresa cimenteira, mas que a Empresa de Electricidade e a Horários do Funchal não o serão; negou saber quem do Governo recebeu avenças do BES; adiantou que poderá estabelecer parcerias com as Câmaras Municipais para a feitura de obras necessárias, de pequena dimensão; afirmou querer repor a ligação marítima com o continente e renegociar tarifas de transporte para os madeirenses semelhantes às de que gozam os açorianos. No geral, deixou uma impressão positiva, mesmo naqueles que não convenceu. Mais que não seja, pela disponibilidade para o diálogo e o esclarecimento.

Finalmente, no que diz respeito ao Porto Santo, ilha que sofre de graves problemas de dupla insularidade e que ficou sob sua alçada directa, disse que o Governo quer apostar em projectos de empregabilidade a concretizar naquela localidade.


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