Manuel Menezes: o testemunho de um “padeiro” na Feira Quinhentista de Machico

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Como aconteceu em anos anteriores…O padeiro e Amélia.

Manuel Menezes é professor de biologia e incarna o papel de “padeiro” na feira Quinhentista de Machico. A pedido do Funchal Notícias, nesta fase de preparativos do evento, este participante deixa-nos o seu testemunho:

“Aproxima-se, a passos largos, a X edição do Mercado Quinhentista de Machico, iniciativa que tem vindo a impor-se no calendário cultural do município de Machico e da Região.

Organização conjunta da Escola Básica e Secundária de Machico (EBSM) e da Câmara Municipal Local (CMM), o evento mobiliza a comunidade escolar do concelho e a população em geral, atingindo, no ano transato, a participação de mais de mil figurantes, sessenta e cinco tendas e trinta associações. O seu caráter histórico e cultural contribui para a atração da população e de turistas registando-se, nos três dias do evento, uma maré de entusiastas, curiosos e saudosos das vivências e costumes da população de outras épocas.

Merc quinhentista 2015 programaEste ano, sobre o lema dos 500 anos do Foral de D. Manuel a Machico, já “fervilha” o entusiasmo de todos os envolvidos. O IX Colóquio do Mercado Quinhentista “Escritos e Ícones para a História”, a 16 de maio, e a exposição no “Madeira Shopping” de 4 a 13 de maio, são o cartaz de abertura da iniciativa.

A azáfama na preparação das indumentárias e a transformação do visual de alguns dos “autores”, nomeadamente a barba em crescimento nos homens, são a face visível da mobilização e aproximação do acontecimento.

Regressado às lides letivas, depois de uma passagem no desempenho de funções “a tempo inteiro” na autarquia e sindicato, não resisti ao apelo e lá estou eu envolvido, com muita satisfação, quase desde o início, no papel de “padeiro do Mercado”. Confesso que é uma experiência muito gratificante.

A curiosidade com que os estrangeiros e naturais seguem o processo da amassadura, as perguntas e interrogações sobre onde cozer o pão, são uma constante ao longo do Mercado. Mas o que mais me entusiasma e gratifica é o olhar embasbacado das crianças e o olhar embevecido dos mais idosos, estes, recordando as alegrias e amarguras desta tarefa noutros tempos. A sua “concordância” com o processo de “fabrico” aplicado, as suas sugestões e recordações de uma tradição que ganhava intensidade e simbolismo por alturas do Natal, a marcação do dia e hora para fazer a sua amassadura no forno “comunitário” do sítio, dão significado e orgulho ao “papel” desempenhado. Vale a pena fazer reviver a memória dos mais antigos e “ensinar” aos mais novos o processo que leva o pão à nossa mesa. E os mais novos abraçam a participação com muito entusiasmo. É em especial para eles a razão de ser desta iniciativa. Aprender de outro modo, fora do contexto sala de aula, é também uma forma pedagógica de atingir as “metas” curriculares. Tem valido a pena! É para continuar! Não podemos deixar morrer esta magnífica lição de vida de toda e para toda a comunidade envolvida”.