“O Tribunal Constitucional é uma fraude”

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A decisão do Tribunal Constitucional (TC) de não dar provimento aos recursos apresentados por diversos partidos no sentido de se proceder a uma recontagem dos votos na Madeira, foi considerada por Gil Canha, do PND, como uma prova de que o TC “é uma fraude”.

Contactado pela nossa reportagem, Gil Canha, que ainda não estava a par da decisão dos juízes do Palácio Ratton, mostrou-se incrédulo com a recusa dos cinco recursos.

“Acho que é vergonhosa a actuação do Tribunal Constitucional, porque vai pairar uma nebulosa de desconfiança à volta destas eleições. O partido que alegadamente ganhou a maioria absoluta vai ficar sempre sob suspeita de que os votos não foram, de facto, todos contados, para ver se houve algum engano, como se descobriu em algumas mesas de voto. Por outro lado, para os partidos que estavam quase a eleger outro deputado há um sentimento de injustiça. Na minha opinião, o TC não deu um tiro no pé: pegou numa bazuca e deu um tiro em si próprio. Porque isto, de facto, nem no Burkina Faso”, considerou.

O deputado eleito pelo PND lembrou que o seu partido já disse à Comissão Nacional de Eleições que deviam vir capacetes azuis à Madeira em período eleitoral, porque “aqui as eleições, de facto, fazem lembrar países de terceiro mundo”; e acrescentou que “o que se passa na Madeira, só nas ditaduras dos anos 50, na América do Sul”.

“Actualmente nos países europeus e desenvolvidos já não acontecem estas poucas vergonhas”, sublinhou.

“O Tribunal Constitucional veio legitimar uma aura de suspeitas que anda à volta deste acto eleitoral, quando não custava nada fazer uma recontagem de votos. Gastar-se-ia mais algum dinheiro, mas o povo saberia de facto que os seus representantes eram aqueles. Da maneira que isto foi feito, é lamentável”, disse.

Questionado sobre se esperava outra decisão, Gil Canha afirmou: “Eu nunca esperaria que o TC tivesse esta posição que teve. Porque isto mostra que as instituições funcionam relativamente aos grandes grupos de interesses. O TC é uma fraude, conseguimos ver agora que é uma fraude, porque só uma instituição que é uma fraude é que tem posições destas”.

Sobre a actuação da Comissão Nacional de Eleições na Madeira, reforçou, o PND considerou que a mesma foi criminosa; e agora esta decisão do TC mostra que o tribunal é uma fraude, constituída por juízes eleitos pelos partidos do arco do poder.

“Efectivamente, são esses que garantem o status quo, esta paz podre do regime, e então tomaram esta decisão tresloucada, que não cabe na cabeça de ninguém. O partido mais prejudicado, mesmo assim, é o PSD; toda a gente vai ficar com a ideia de que o PSD ganhou com uma ‘chapelada’ e que não quis contar os votos, e que andou a movimentar os seus juízes eleitos para o TC para tomar esta decisão. O próprio dr. Alberto João Jardim vai-se aproveitar disto para descredibilizar o dr. Miguel Albuquerque”, afirmou. “É preciso ver que o golpe de Estado do sr. Jaime Ramos foi dado, mas o dr. Jardim ainda não baixou as armas. A procissão ainda vai no adro. E conhecendo como eu conheço o dr. Alberto João Jardim, uma pessoa que não gosta de ficar em meio campo de batalha, o dr. Miguel Albuquerque vai ter um problema acrescido relativamente a este assunto”.


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