Maioria laranja, ascensão da JPP e chicotada psicológica na Mudança

O discurso da vitória, ladeado pela família e os membros prováveis do seu futuro governo.
O discurso da vitória, ladeado pela família e os membros prováveis do seu futuro governo.

O PSD/M voltou a somar mais uma vitória a um consulado de grande longevidade na Madeira. Mas desta vez, tudo foi diferente. A maioria absoluta conquistada por Miguel Albuquerque foi a ferros – apenas pela diferença de um deputado – e com uma perda de quase 15 mil votos em relação a 2011.

Por outro lado, a euforia da festa laranja, desta vez, não teve os habituais laivos de prepotência vitoriosa, típicas da era jardinista.

O PSD ganhou em toda a linha, querendo isto significar que teve a vitória em todos os municípios do arquipélago da Madeira. Miguel Albuquerque volta a provar que consegue galvanizar vitórias e que Jardim deixou de ser insubstituível ou a figura tutelar do PSD.

Neste novo ciclo que se abre à governação da Madeira, também há a registar muitas surpresas no xadrez político regional. A maior surpresa de todas: a conquista de cinco deputados na Assembleia Legislativa por parte do recém-partido Juntos Pelo Povo. Muitas são as leituras que se fazem, ora porque o eleitorado desencantado com a Mudança se virou para a equipa de Élvio Sousa, ora porque alguns descontentes com a esquerda preferiram arriscar o voto na novidade vinda de Gaula. Uma coisa é certa: um verdeiro “euromilhões” saiu ao antigo movimento de cidadania, com o “upgrade” de partido que chega tarde ao escrutínio, vê e convence.

Não menos surpreendente foi a conquista do segundo lugar por parte do CDS-PP. Ninguém acreditava nas previsões de José Manuel Rodrigues, quando há uma semana anunciava ao Funchal Notícias o estudo interno do partido que apontava para esse resultado. Só que esta vitória foi vivida com um sabor amargo, já que ficaram a um passo de tirar a maioria absoluta a Miguel Albuquerque e, com isso, perderam o comboio de formar governo com o PSD, uma hipótese sempre em cima da mesa.

Mérito redobrado teve também o Bloco de Esquerda e equipa. No espaço nacional, a queda livre do Bloco continua. Mas na Madeira, o cenário inverte-se: não só regressa à Assembleia como cria um grupo parlamentar de dois deputados, surpreendendo mesmo Roberto Almada.

A CDU é outra vitoriosa da noite. Aumenta a representação parlamentar e ficou a cinco votos de eleger o seu terceiro deputado. Uma vitória do trabalho incontestável de Edgar Silva e da máquina comunista de produção legislativa em defesa das minorias.

O PND consegue segurar o único deputado que tinha, mantendo assim o desejado pé na porta da Assembleia, que incomoda, que denuncia e promete tocar nas questões polémicas.

A Coligação Mudança ficou muito aquém dos seus objetivos. Os resultados levaram à demissão de Víctor Freitas. É mais uma chicotada psicológica no seio do PS, face à estratégia desastrosa levada a cabo pelo líder. Desta estratégia resultou a saída de Roberto Vieira, do MPT, do Parlamento, e do PAN. Manuel Coelho resiste ao desaire eleitoral, mas a filha, Raquel Coelho, não conseguiu a eleição.

A abstenção foi também a vitoriosa da noite, com um valor acima dos 50%.Desencanto dos cidadãos em relação à política? Forças a mais para votar? Comodismo aliado às férias da Páscoa e à ausência de madeirenses da Região?

Que dizer da manta de outros partidos mais pequenos que não conseguiram eleger um único deputado, tais como MAS, PNR, Plataforma de Cidadãos e PCTP/MRPP?